O debate dos candidatos ao governo do Espírito Santo na TV Gazeta começou às 22h desta quinta-feira (27) com ataques pessoais e trocas de acusação entre os candidatos Manato (PL) e Renato Casagrande (PSB). Já na primeira pergunta, que foi feita por Manato, conforme estabelecido pelo sorteio feito previamente com os representantes das duas campanhas, o candidato citou um caso de repercussão nacional em que o Espírito Santo esteve envolvido: a interrupção da gravidez de uma menina capixaba de 11 anos, que foi vítima de estupro. O episódio foi em 2020.
Logo no início, no bloco em que candidatos poderiam fazer perguntas de tema livre, Manato questionou o apoio dado pelo governo do estado para que a criança realizasse a interrupção da gestação em um hospital de referência no estado de Pernambuco, depois que médicos do Espírito Santo se recusaram a fazer o procedimento, que foi autorizado pela Justiça. Durante a fala, o candidato do PL chamou Casagrande de “abortista”.
O candidato do PSB respondeu que cumpriu uma determinação da Justiça e atribuiu ao grupo político de Manato a responsabilidade por tornar pública a identidade da criança.
“Nós cumprimos a decisão da justiça. Não foi uma decisão do Governo, do governador, nem da equipe do governador. Então é importante que a gente esclareça isso. Todos sabem que eu sou de uma família cristã. Não sou cristão de véspera de eleição. Sou cristão, formado em uma família cristã e eu defendo a vida. Sempre defendi a vida. Sou contra o aborto. Sou a favor da vida”, falou Casagrande.
O socialista, por sua vez, confrontou o adversário com o fato do mesmo ter integrado a Scuderie Le Cocq, um dos maiores grupos de extermínio da história do Espírito Santo. Inicialmente, candidato do PL não falou sobre o assunto e insistiu em tratar do episódio do aborto realizado pela criança em 2020.
Casagrande, mais uma vez, defendeu que cumpriu uma determinação judicial. Durante a fala, ele alegou que Manato participou da organização da greve da Polícia Militar do Espírito Santo, em 2017.
O candidato Manato afirmou ter em mãos um documento que teria sido emitido pelo Ministério Público Federal que o eximiria da participação em organizações criminosas. No entanto, conforme as regras do debate, assinadas pelas assessorias dos candidatos, os candidatos não poderiam apresentar documentos no programa. O mediador precisou pedir que o candidato não mostrasse o papel que, segundo Manato, seria uma certidão negativa. Manato concluiu a fala insinuando a participação de Casagrande em um esquema de corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht.
“Eu tenho aqui em mão, uma certidão negativa do Ministério Público Federal, dizendo e afirmando que eu não participei de qualquer crime organizado. O Ministério Público Federal, com uma juíza, me deram a certidão. Você tem uma certidão que não participou como centroavante da Odebrecht? O senhor tem essa certidão?”, disse Manato.
Casagrande defendeu-se da alegação afirmando que a informação era uma fake news sobre um processo, segundo ele, já arquivado.
Os candidatos também travaram um embate relacionado à pandemia de Covid-19. Enquanto Manato criticou a gestão de Casagrande como governador durante crise sanitária, o candidato do PSB defendeu a própria atuação e afirmou que tomou decisões responsáveis.
O assunto foi tratado por mais de uma vez pelos candidatos, no primeiro e no terceiro bloco.
A greve da Polícia Militar, em 2017, considerada a maior crise de segurança pública da história do Espírito Santo, também foi um assunto abordado mais de uma vez pelos candidatos, que trocaram acusações de apoio ao movimento, que foi inconstitucional.
Manato afirmou que Casagrande estaria por trás da greve e que teria sido o maior beneficiário dela, vindo a se eleger governador do estado no ano seguinte à greve. Já Casagrande afirmou que Manato foi um dos coordenadores da greve. O candidato do PSB ainda sugeriu que uma investigação pode vir a comprovar uma participação de Manato no movimento grevista.




















