Com informações de novas variantes da Covid-19 surgindo no mundo, o governo do Estado está investigando se há circulação desde dezembro de novos tipos de coronavírus.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, explicou que 40 amostras coletadas este mês de pacientes do Espírito Santo foram enviadas na terça-feira à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Lá, serão feitos testes para identificar, por meio do sequenciamento genético, se há variantes em circulação.
Ele frisou que amostras também coletadas em pacientes que tiveram Covid-19 em dezembro serão enviadas à Fiocruz para saber se novas cepas já circulavam, incluindo a de Manaus, e outras.
“Temos no País toda malha aeroviária aberta. No aeroporto de Manaus, por exemplo, temos uma média de 8 mil passageiros por dia entrando e saindo”.
Ele ressaltou que, se a nova variante tiver uma maior capacidade de transmissão, seria “ingênuo pensar que a cepa de Manaus não possa estar espalhada não só no Brasil, como no mundo”.
“Desde setembro Manaus vive um alerta para o aumento de casos, que se confirmou em novembro e dezembro. Essa cepa foi reconhecida laboratorialmente em dezembro, mas pode estar circulando há mais tempo”.
Nésio reforçou, ainda, que desde dezembro há no Espírito Santo relatos anedóticos, ou seja, observados nos atendimentos de pacientes, de que haveria diferença no período de agravamento de casos.
“Os relatos que temos é que na primeira onda, em junho, os pacientes apresentavam complicações entre 6 e 11 dias. Hoje, há pacientes complicando com mais de 12 dias”.
Quanto aos pacientes de Manaus transferidos para o Estado, Nésio ressaltou que foram tomadas todas as medidas de reforço de biossegurança. “Decidimos testar todos os trabalhadores. Isso nos dá autoridade para afirmar que a vinda dos pacientes representam um gesto de solidariedade, uma decisão tomada com muita responsabilidade”.
Depois do Amazonas, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou na última terça-feira os três primeiros casos causados pela nova variante brasileira.
Mutação de vírus de Manaus está em oito países
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a nova cepa da Covid-19 de Manaus já se encontra em ao menos oito países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão.
O Boletim Epidemiológico Semanal da entidade aponta que são necessários mais estudos para avaliar se essa variante traz mudanças na transmissibilidade, na severidade da doença ou para a imunização dos pacientes.
Ethel Maciel, epidemiologista e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo, acredita que o vírus já esteja circulando no Estado e em todo o País, considerando que não foi feito nenhum cerco sanitário para frear o avanço.
“Essa variante de Manaus já está em São Paulo, então muito provavelmente ela estará em outros lugares, é só questão de tempo”.
Ela diz que como a transmissão ocorre de forma mais rápida, acaba produzindo casos graves em uma velocidade maior. “Com a nova variante você teria muito mais pessoas doentes e com isso teria muito mais chance de ter casos graves porque ele se espalha mais rápido”, explicou Ethel Maciel.
Saiba mais
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Alguns tipos de Covid que circulam no mundo
Variante de Manaus
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Chamada de P.1, ela tem mutações na proteína spike, responsável por permitir a entrada do patógeno nas células humanas.
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Apesar de não haver comprovação, é possível que tenha maior poder de transmissão.
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Em Manaus, até novembro, não havia registro da cepa P.1. No mês de dezembro, 52,2% dos genomas sequenciados eram da nova variante. Em janeiro, esse índice passou para 85,4%.
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Pesquisas estão sendo feitas para determinar se ela seria mais contagiosas, letal ou se afetaria o desempenho dos imunizantes.
Variante do Reino Unido
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A variante, também chamada de B.1.1.7, já foi detectada em pelo menos 44 países, incluindo os EUA e o Brasil. Ela também tem uma mutação na proteína usada pelo vírus para entrar na célula humana. A mutação permite transmissão mais rápida.
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Estatísticas mostram que a transmissão é de 30% a 70% maior que a do vírus original.
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Um relatório do Reino Unido apontou que há possibilidade de que a nova variante tenha uma taxa de mortalidade mais alta do que outras.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o fato de ser mais contagiosa já é suficiente para aumentar o número de vítimas.
Fonte: Sesa e agência Estado.




















