A piora na qualidade do emprego traz uma série de consequências para a economia brasileira. Ela tem um impacto crucial na produtividade do país, por exemplo. O indicador é considerado fundamental para a melhora da atividade econômica e da renda da população brasileira.
Nos últimos anos, no entanto, com o emprego formal em queda, a produtividade brasileira está estagnada porque milhões de trabalhadores tiveram de recorrer a bicos e a trabalhos por conta própria para conseguir alguma renda. Com isso, passaram a agregar menos valor para a economia.
“O Brasil não tem criado ocupações sem setores dinâmicos há muito tempo. Então, há uma dificuldade para que as pessoas que se formam em profissões altamente qualificadas encontrem uma vaga equivalente”, afirma o professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, Naercio Menezes.
Embora os dados sejam negativos, cursar uma faculdade ainda é bastante vantajoso no país. Um trabalhador com mais anos de estudo sempre vai ter vantagem numa disputa por emprego, mesmo que a vaga não exija uma elevada qualificação. “Mesmo que o desemprego esteja afetando várias classes, ele ainda é menor entre quem tem ensino superior completo”, afirma Naercio.
No Brasil, a taxa de desemprego é de 6% entre a população que tem ensino superior completo, de acordo com Naercio. Ela sobe para 14% no grupo que só cursou até o Ensino Médio.
Há uma diferença nos salários também. Quem tem faculdade ganha em média R$ 5 mil. A média de quem cursou ensino médio é de R$ 2 mil. “Esse diferencial salarial ainda é muito alto, o que mostra como a faculdade é importante”, diz o professor do Insper.
Fonte: G1