Em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio, o Parlamento do Irã aprovou, neste domingo (22), o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo, em resposta a ataques aéreos dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas. A decisão, anunciada pela mídia local, ainda depende da aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para entrar em vigor. A medida, que pode interromper o fluxo de cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, é vista como uma retaliação direta à ofensiva ordenada pelo presidente americano Donald Trump. Localizado entre o Irã e Omã, o estreito é monitorado pela 5ª Frota da Marinha dos EUA, com base no Bahrein, o que eleva o risco de confrontos na região. A ameaça de bloqueio já provoca temores de uma disparada nos preços do petróleo, que subiram 13,5% desde o início do conflito.
A decisão do Parlamento iraniano ocorre em um contexto de crescente hostilidade entre Teerã e Washington. O bombardeio americano, iniciado após acusações de avanços no programa nuclear iraniano, atingiu três instalações estratégicas do país. A votação no Parlamento reflete o apoio de deputados conservadores a uma postura de confronto, mas a implementação do bloqueio depende de avaliações estratégicas de Khamenei, conhecido por sua influência nas decisões de política externa. O Estreito de Ormuz, com apenas 33 km de largura em seu ponto mais estreito, é uma rota vital para países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, que exportam milhões de barris diariamente, principalmente para a Ásia.
- Impactos econômicos imediatos: A possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já afeta os mercados globais, com o barril Brent subindo para US$ 78,74.
- Riscos geopolíticos: O bloqueio pode intensificar conflitos com os EUA, que garantem a segurança da navegação na região.
- Alternativas limitadas: Países como Arábia Saudita têm oleodutos com capacidade ociosa, mas insuficiente para substituir o estreito.
O anúncio iraniano também reacende memórias de crises passadas, como a ameaça de bloqueio em 2019, após a retirada dos EUA do acordo nuclear. Embora o Irã nunca tenha concretizado tais ameaças, a situação atual é considerada mais volátil devido à intensidade dos ataques recentes.

Rotas marítimas sob pressão
O Estreito de Ormuz é frequentemente descrito como a “artéria” do comércio global de petróleo. Cerca de 17,8 a 20,8 milhões de barris de petróleo bruto e combustíveis passam pelo estreito diariamente, segundo a plataforma Vortexa. A sua relevância estratégica é amplificada pela estreita largura dos canais de navegação, com apenas 3 km em cada direção, o que facilita bloqueios. A decisão iraniana de considerar o fechamento da rota ocorre em um momento em que navios petroleiros já operam sob alerta elevado, após orientações de agências marítimas para reforçar a segurança na região.
A Marinha dos EUA, responsável por proteger a navegação comercial, enfrenta um desafio logístico e diplomático. A 5ª Frota, sediada no Bahrein, mantém patrulhas constantes, mas um bloqueio liderado pelo Irã poderia exigir uma resposta militar, aumentando o risco de um conflito direto. Além disso, o Catar, um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito, depende do estreito para escoar quase toda a sua produção, o que amplia as consequências de um eventual fechamento.







