Uma criança de apenas 1 ano e oito meses, desaparecida desde o dia 26 de junho, foi encontrada na última terça-feira (30), em Jacaraípe, na Serra. O menino havia sido levado pela própria irmã, de 14 anos, que, segundo a Polícia Civil, já havia tentado subtrair outro bebê neste ano.
O caso, que mobilizou as forças de segurança durante cinco dias, ganhou novos contornos após as investigações apontarem que a adolescente agiu por motivação afetiva e pretendia criar o irmão como se fosse seu filho.
Plano começou com ida ao mercado
Segundo a Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), a adolescente saiu da residência da família, no bairro Padre Gabriel, em Cariacica, dizendo à avó que iria ao mercado. Ela levou o irmão pequeno e não retornou.
As investigações revelaram que essa não foi a primeira vez que a adolescente tentou levar uma criança. Em fevereiro deste ano, ela teria tentado subtrair um bebê de apenas quatro meses no Terminal de Vila Velha.
De acordo com o delegado titular da Deacle, Fábio Pedroto, o desaparecimento não teve relação com pedido de resgate ou exploração criminosa.
“Temos a certeza jurídica e investigativa de que ela subtraiu essa criança com finalidades afetivas, para criá-la como se filho fosse”, afirmou.
Vulnerabilidade social marcou o caso
Segundo o delegado, a adolescente vive em situação de vulnerabilidade social, abandono parental e evasão escolar. Para a Polícia Civil, o caso exige uma resposta voltada à assistência social e à saúde mental.
“A adolescente necessita de apoio psicossocial. Ela precisa muito mais de acompanhamento por órgãos de saúde e assistência social do que, efetivamente, de uma internação”, destacou Pedroto.
Denúncia levou à localização
O desfecho do caso ocorreu após uma denúncia anônima informar que os irmãos estavam em uma casa em Jacaraípe.
Policiais montaram uma campana no imóvel e abordaram a adolescente quando ela apareceu no portão. O menino foi encontrado em um dos quartos.
De acordo com a Polícia Civil, a residência era utilizada por pessoas para consumo de drogas. Apesar disso, a criança não apresentava sinais de violência ou maus-tratos e demonstrou forte vínculo afetivo com a irmã.
Justiça determina acolhimento, não internação
A adolescente foi apreendida por ato infracional análogo ao crime de subtração de incapaz, previsto no artigo 249 do Código Penal.
Após audiência, a Justiça decidiu pelo acolhimento institucional, medida voltada ao acompanhamento psicossocial e de saúde, descartando a internação.
Segundo o delegado, o acolhimento não representa privação de liberdade.
“É um espaço onde ela receberá atendimento de diversas especialidades para compreender suas dificuldades e promover sua reintegração à família, à escola e à sociedade”, explicou.
Investigação pode alcançar outras pessoas
A Polícia Civil também apura a participação de pessoas que ajudaram a adolescente durante os cinco dias em que permaneceu desaparecida com o irmão.
Segundo as investigações, alguns conhecidos fizeram transferências via Pix para ajudá-la financeiramente e ofereceram abrigo ao casal de irmãos, mesmo sabendo que a criança era procurada pelas autoridades.
Essas pessoas poderão responder por favorecimento pessoal.
Adolescente já havia se envolvido em outro caso
Além da tentativa de subtração de um bebê registrada em fevereiro, a adolescente também possui outro antecedente.
Em 2025, ela foi apreendida após se envolver em uma tentativa de homicídio contra um idoso em um quiosque na praia, em Vila Velha, quando estava na companhia de um grupo de jovens.
Agora, o foco das autoridades será o acompanhamento psicológico e social da adolescente, enquanto a investigação busca esclarecer toda a rede de apoio que possibilitou o desaparecimento do menino por cinco dias.




















