Queda de bebidas alcoólicas consumidas entre jovens pode refletir uma migração para outras drogas como maconha e substâncias sintéticase não um comportamento globalmente mais responsável em relação ao uso de psicoativos.

Uma pesquisa nacional revela uma mudança marcante no comportamento dos brasileiros: 64% afirmaram não consumir álcool em 2025. O avanço é puxado pelos mais jovens — a abstinência saltou para 64% entre 18 e 24 anos e 61% na faixa de 25 a 34, segundo o levantamento “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, do Ipsos-Ipec a pedido do Cisa.
Apesar do dado positivo à primeira vista, especialistas pedem cautela. A redução no consumo de álcool nem sempre significa hábitos mais saudáveis. Em parte dos casos, pode indicar migração para outras substâncias, como maconha, drogas sintéticas e vapes.
A socióloga Mariana Thibes, coordenadora do Cisa, explica que o Brasil começa a registrar uma tendência já observada na Europa: a geração Z é mais abstêmia. Ainda assim, ela questiona se o álcool está sendo abandonado por completo ou substituído por outros psicoativos.
Na mesma linha, a psicóloga Cristiana Renner observa, na prática clínica, um ambiente de multidrogas entre adolescentes e jovens adultos, com aumento do uso de maconha, nicotina e substâncias sintéticas.
Entre os motivos para beber menos estão o medo da exposição nas redes sociais, a rejeição à ressaca e a preocupação com desempenho, estética e saúde mental. Ainda assim, o consumo de álcool entre jovens segue como desafio global: a Organização Mundial da Saúde classifica como “inaceitavelmente alto” o índice de adolescentes que bebem, especialmente nas Américas e na Europa.
Resumo: os jovens estão bebendo menos — mas o desafio agora é garantir que essa mudança represente, de fato, mais saúde e escolhas conscientes, e não apenas a troca de riscos.




















