O combate ao contrabando de cigarros voltou a acender o alerta das forças de segurança no Espírito Santo. Dados da Receita Federal do Brasil e da Polícia Rodoviária Federal apontam que as mesmas rotas utilizadas pelo tráfico de drogas e armas também vêm sendo usadas por organizações criminosas para abastecer o mercado clandestino de cigarros paraguaios no Estado, movimentando milhões de reais e fortalecendo redes criminosas.
Segundo informações das autoridades, cerca de 99% dos cigarros contrabandeados apreendidos no Espírito Santo têm origem no Paraguai. As cargas entram no país principalmente pelas regiões de fronteira de Mato Grosso do Sul e do Paraná, seguem por São Paulo e Minas Gerais, até chegar ao território capixaba, onde parte do material é distribuída na Grande Vitória e também no interior do Estado.
A estratégia usada pelos criminosos chama atenção: caminhões-baú transportam mercadorias legalizadas, como produtos de limpeza e itens de consumo, enquanto os cigarros são escondidos ao fundo da carga para tentar despistar a fiscalização. De acordo com agentes da PRF, esse tipo de contrabando frequentemente compartilha a mesma estrutura logística de outros crimes organizados, como tráfico de entorpecentes e circulação ilegal de armas.
Os números de 2026 mostram a dimensão do prejuízo. Somente neste ano, foram apreendidos no Espírito Santo 488.314 maços de cigarros, o equivalente a mais de 9,7 milhões de unidades. O valor estimado das cargas chega a R$ 3,25 milhões, além de uma perda tributária superior a R$ 2,4 milhões aos cofres públicos federais.
Para os órgãos de fiscalização, além do impacto financeiro, o contrabando representa uma ameaça direta à segurança pública e ao comércio regular. O avanço da atividade ilegal fortalece organizações criminosas, amplia a concorrência desleal com comerciantes legalizados e aumenta a informalidade econômica em diversas regiões do Estado.
As forças de segurança seguem intensificando operações de fiscalização nas rodovias e centros de distribuição. A expectativa é ampliar o combate às rotas clandestinas e enfraquecer a atuação das quadrilhas que usam o território capixaba como ponto estratégico de circulação e venda de produtos ilegais.




















