Empresários de Barra de São Francisco e de municípios vizinhos vivem um paradoxo: nunca houve tantas vagas abertas, mas cada vez mais dificuldade para contratar. Comércios, indústrias, oficinas, restaurantes, supermercados e prestadores de serviços relatam que oferecem emprego formal e mesmo assim enfrentam resistência de parte dos trabalhadores.
Segundo comerciantes ouvidos pela reportagem, muitas pessoas recusam propostas por receio de perder o benefício do Bolsa Família, mesmo quando o salário oferecido é superior ao valor do auxílio social. A situação tem gerado preocupação no setor produtivo local e reacendido o debate sobre políticas públicas de transição entre assistência social e mercado de trabalho.
“Temos vagas, mas não conseguimos preencher. Algumas pessoas preferem continuar no benefício do que assumir carteira assinada”, afirmou um empresário do centro de Barra de São Francisco que preferiu não se identificar.
Emprego existe, mas insegurança também
A principal queixa de trabalhadores é o medo de perder o Bolsa Família e, caso sejam demitidos, ficarem sem nenhuma renda. Esse receio faz com que muitos optem por bicos informais ou simplesmente recusem empregos formais.
Especialistas apontam que essa insegurança não é exclusiva da região Noroeste do Espírito Santo — trata-se de um fenômeno nacional, especialmente em cidades do interior.
Prefeito de Santa Catarina discute solução inovadora
A cidade de Criciúma (SC) discute uma solução inovadora. O prefeito Vagner Espíndola (PSD) protocolou na Câmara de Vereadores um projeto que cria o Programa Promove, destinado a famílias que estão em transição do Bolsa Família para o emprego formal.
A proposta prevê pagamento mensal de R$ 300 por até seis meses para até mil famílias que conseguirem emprego com carteira assinada. O objetivo é garantir segurança financeira enquanto o trabalhador se adapta ao mercado formal.
O benefício seria pago apenas enquanto a pessoa estiver empregada, residindo em Criciúma e buscando qualificação profissional. Se o trabalhador perder o emprego e voltar ao Bolsa Família integral, o auxílio municipal é suspenso.
Para o prefeito, a iniciativa evita que famílias retornem à vulnerabilidade social:
“Trata-se de política pública inovadora que não substitui o Bolsa Família, mas cria uma transição segura para o trabalho formal”, destacou.
Enquanto isso, vagas continuam abertas
Por ora, estabelecimentos de Barra de São Francisco e região seguem anunciando vagas em áreas como:
Vendas e atendimento
Construção civil
Serviços gerais
Mecânica e oficinas
Restaurantes e lanchonetes
Supermercados e lojas
A questão que fica é: como equilibrar assistência social e incentivo ao trabalho sem prejudicar quem mais precisa?







