O número de beneficiários que vivem sozinhos e recebem o Bolsa Família voltou a crescer em 2026, ano de eleições. Em julho, o programa registrou 3,9 milhões de famílias unipessoais, contra 3,5 milhões em janeiro deste ano. O total de beneficiários também aumentou, passando de 18,8 milhões para 19,3 milhões no mesmo período.
A situação chama a atenção porque, em 2022, houve um forte crescimento desse tipo de cadastro. Na época, mudanças no programa teriam incentivado pessoas que moravam juntas a se declararem como famílias separadas para receber benefícios individualmente. Em janeiro de 2023, o número chegou a 5,9 milhões.
Desde então, o governo federal vem realizando revisões no Cadastro Único para identificar possíveis irregularidades. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), porém, afirma que não encontrou sinais de uma nova divisão artificial de famílias nem indícios de uso eleitoral do cadastro em 2026.
Crescimento preocupa especialistas
De janeiro a julho deste ano, foram acrescentadas cerca de 344 mil famílias unipessoais ao programa. Para especialistas, parte desse crescimento pode ser explicada pela própria mudança demográfica do país, com aumento do número de pessoas que vivem sozinhas.
Apesar disso, especialistas recomendam uma análise mais detalhada, principalmente nos municípios onde a quantidade de beneficiários unipessoais está muito acima da média.
Atualmente, 3.813 municípios estão acima da referência de 16% estabelecida pelo governo para famílias de apenas uma pessoa. Em 736 cidades, esse percentual supera 25%, enquanto em 35 municípios chega a 40% ou mais.
O MDS ressalta que estar acima da referência não significa, por si só, que exista irregularidade. A pasta estuda criar metas regionalizadas, levando em consideração as características demográficas de cada município.
Governo acompanha municípios considerados críticos
O Ministério mantém uma lista de 306 municípios e três estados considerados críticos, além de outros 45 municípios e cinco estados que estão sob atenção.
A estratégia inclui a cobrança de informações das prefeituras e o acompanhamento dos cadastros. Em julho, representantes do MDS também se reuniram com Tribunais de Contas dos Estados para discutir medidas de fiscalização.
Segundo especialistas, o desafio agora é diferenciar o crescimento natural das famílias unipessoais de possíveis distorções nos cadastros, garantindo que o Bolsa Família continue chegando a quem realmente precisa.




















