• HOME
  • Política
  • Esportes
  • Policial
  • Geral
  • Vídeos
  • + Notícias
sexta-feira, 14 agosto, 2026
No Result
View All Result
Repórter Net
  • HOME
  • Política
  • Esportes
  • Policial
  • Geral
  • Vídeos
  • + Notícias
  • HOME
  • Política
  • Esportes
  • Policial
  • Geral
  • Vídeos
  • + Notícias
No Result
View All Result
Repórter Net
No Result
View All Result

Mães adoecem no silêncio do pós-parto

Depressão pode atingir mais de 485 mil brasileiras; no Espírito Santo, estimativa supera 10 mil

Admilson Brum por Admilson Brum
14 de agosto de 2026
em Brasil, Destaques, Geral
0
CompartilharTwittarCompartilhar

O nascimento de um bebê costuma concentrar olhares, cuidados e preocupações em torno da criança. Mas, enquanto todos perguntam se o bebê está mamando, dormindo e ganhando peso, uma pergunta essencial muitas vezes fica de lado: como está a mãe?

No Brasil, mais de 485 mil mulheres podem ter sido afetadas pela depressão pós-parto, considerando a estimativa de 19,8% utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para países em desenvolvimento. No Espírito Santo, seriam mais de 10 mil mulheres.

Os números são estimativas calculadas a partir dos nascimentos registrados em 2025 no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do DataSUS, aplicando-se a proporção de 19,8%.

Por trás dos números estão histórias de mulheres que enfrentaram sofrimento intenso, muitas vezes em silêncio.

“Em momento algum as pessoas se preocuparam como eu estava me sentindo.”

O relato é de uma esteticista de 37 anos, que passou pelo pós-parto enfrentando pensamentos de morte e precisou de tratamento psiquiátrico e medicamentoso. Segundo ela, a atenção ao seu bem-estar ficou restrita principalmente à alimentação e à hidratação, por causa da amamentação.

“Quando minha filha estava com 3 anos comecei a fazer terapia e foi a partir daí que eu passei a amá-la de uma forma que eu nunca havia conseguido antes”, conta.

Quando a mãe deixa de ser vista

Para a médica de família e comunidade Taynah Repsol, a saúde mental da mulher precisa fazer parte da avaliação puerperal com a mesma importância dada aos aspectos físicos da recuperação.

Depois do nascimento, explica a médica, a atenção costuma se voltar quase integralmente para o bebê. Com isso, a mãe pode deixar de ser observada pela família e até por ela mesma.

“O profissional deve olhar para o estado emocional da mulher com a mesma seriedade com que examina a involução uterina ou a cicatrização perineal, e boa parte desse exame começa antes de qualquer pergunta, na simples observação de como ela chega e como se apresenta”, afirma.

A avaliação pode incluir a percepção de mudanças de comportamento, humor, sono, interação e outros sinais que indiquem sofrimento psíquico.

Mortalidade pode ser subestimada

O psiquiatra Joel Rennó Jr., professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenador da Comissão de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), chama atenção para outro problema: a possível subinformação das mortes maternas relacionadas à saúde mental.

Segundo ele, o Brasil possui histórico documentado de subinformação da mortalidade materna nas declarações de óbito.

Nos indicadores tradicionais, a Razão de Mortalidade Materna considera, em geral, mortes ocorridas durante a gestação ou até 42 dias depois do término da gestação.

“Não significa que o Brasil ignore completamente essas mortes depois dos 42 dias de puerpério, mas significa que os indicadores tradicionais podem não representar adequadamente toda a carga de mortalidade psiquiátrica ao longo do primeiro ano pós-parto”, explica.

A questão é especialmente relevante porque transtornos psiquiátricos podem persistir ou surgir ao longo dos meses seguintes ao nascimento, período em que a mulher continua enfrentando mudanças físicas, emocionais, familiares e sociais.

Cansaço faz parte. Sofrimento persistente, não

Nem toda tristeza ou exaustão depois do parto significa depressão. Algum nível de angústia e cansaço é esperado durante o puerpério, período marcado frequentemente por privação de sono, dificuldades na amamentação, adaptação aos cuidados com o bebê e mudanças na rotina.

A psicóloga perinatal Nayara Teixeira explica, porém, que a falta de apoio pode transformar essas dificuldades em um sofrimento maior.

“Se essa mulher não recebe os apoios necessários da família e de seu entorno, o que infelizmente é comum, ela se sente sobrecarregada e sozinha, o que pode gerar sofrimento”, afirma.

Por isso, é importante observar a frequência e a intensidade dos sintomas. Tristeza persistente, desânimo, alterações no apetite, prejuízos nos relacionamentos, sentimentos de culpa e inadequação podem indicar que é hora de procurar ajuda.

“Se há um sofrimento intenso e persistente, é fundamental buscar auxílio de profissionais de saúde mental, como psicólogos e ou psiquiatras, que poderão acolher a mulher, avaliar a situação e orientar a família”, orienta Nayara.

Um questionário que pode ajudar a identificar sinais

Uma das ferramentas utilizadas para rastrear sintomas de depressão no período perinatal é a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS).

O questionário tem 10 perguntas sobre como a mulher se sentiu nos últimos sete dias. Cada resposta recebe uma pontuação, e o resultado ajuda o profissional de saúde a identificar quem precisa de uma avaliação mais aprofundada.

A escala, entretanto, não estabelece sozinha um diagnóstico.

Entre os aspectos avaliados estão a capacidade de rir e encontrar o lado bom das coisas, o prazer em atividades anteriormente apreciadas, sentimentos de culpa, ansiedade, medo, alterações do sono, choro e pensamentos de autoagressão.

A pontuação total pode variar de 0 a 30. Quanto maior o resultado, maior a necessidade de investigação profissional. A pergunta relacionada a pensamentos de fazer mal a si mesma merece atenção especial: uma resposta positiva é um sinal de alerta e requer avaliação imediata.

Um estudo brasileiro publicado em 2026 na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, também validou a utilização da EPDS para avaliar sintomas depressivos durante a gestação, ampliando sua aplicação para o período pré-natal.

Para Joel Rennó Jr., entretanto, identificar o sofrimento é apenas o primeiro passo.

“Importante ressaltar que rastreamento sem assistência posterior efetiva é inútil, os serviços precisam estar preparados para não só fazerem avaliação psiquiátrica competente, mas também para intervenções psicológicas e biológicas rápidas em equipe multidisciplinar”, afirma.

“Eu chorava, passava as noites em claro”

A dimensão do problema também aparece na experiência de quem viveu o puerpério na própria pele.

O filho da jornalista Camila Lima nasceu em 2022. Na época, ela acreditava estar passando apenas pelo chamado baby blues, uma alteração emocional comum nos primeiros dias após o parto.

Só anos depois percebeu que o sofrimento havia ultrapassado o que considerava parte “normal” do puerpério.

“Eu chorava, passava as noites em claro velando meu filho.”

Além da dificuldade para amamentar, o bebê golfava muito. O medo de que ele aspirasse durante o sono era constante. A preocupação tinha ainda uma origem traumática: Camila havia perdido um primo, ainda bebê, que morreu asfixiado durante a noite, sem que a família percebesse a tempo.

A privação de sono agravou o quadro. Ela dormia duas ou três horas por noite e, enquanto o filho dormia, tentava retirar leite com uma bomba. Acordava esgotada, sem paciência e tomada por um sentimento de raiva.

“Não soube reconhecer os sinais e também não encontrei alguém que dissesse: ‘isso pode não ser apenas cansaço; procure ajuda’.”

Mais de um ano se passou até que ela começasse a se sentir melhor. As marcas, porém, permaneceram.

Somente no ano passado, ao procurar atendimento médico, ouviu que o sofrimento poderia estar relacionado ao puerpério. Hoje, faz acompanhamento e segue em tratamento.

“Conto essa história porque, se eu, uma jornalista que trabalha diariamente com temas de saúde, não consegui reconhecer o próprio sofrimento nem encontrei facilmente a quem pedir ajuda, talvez isso ajude a dimensionar o tamanho de uma lacuna que atinge milhares de mulheres.”

Cuidar de quem cuida

A depressão pós-parto não é sinônimo de falta de amor pelo bebê, incapacidade ou fracasso materno. O sofrimento pode atingir mulheres que desejavam profundamente a maternidade e que, ainda assim, enfrentam sintomas que não conseguem controlar sozinhas.

Por isso, especialistas defendem que o cuidado não termine no nascimento da criança. Consultas de pré-natal, acompanhamento puerperal e até consultas pediátricas podem ser oportunidades para observar também a saúde mental da mãe.

A mensagem central é simples: o bebê precisa ser cuidado, mas a mulher que cuida dele também precisa ser vista.

Reconhecer sinais, perguntar como ela realmente está e oferecer acesso rápido a profissionais capacitados pode fazer a diferença entre enfrentar o sofrimento em silêncio e receber ajuda no momento em que ela mais precisa.

Tags: bebêMãesPós partoReporternetSite repórternetSobre pós parto

Leia Também

Explosivo improvisado é destruído pelo Esquadrão Antibombas em Muniz Freire
Cidades

Explosivo improvisado é destruído pelo Esquadrão Antibombas em Muniz Freire

Agosto Lilás leva informação, prevenção e proteção às mulheres de Barra de São Francisco
Barra de São Francisco

Agosto Lilás leva informação, prevenção e proteção às mulheres de Barra de São Francisco

Qualificar ES abre 10 mil vagas grátis em cursos online
Cidades

Qualificar ES abre 10 mil vagas grátis em cursos online

SAMU 192 abre seleção para 50 médicos socorristas no Espírito Santo
Cidades

SAMU 192 abre seleção para 50 médicos socorristas no Espírito Santo

Catapora avança no Espírito Santo
Cidades

Catapora avança no Espírito Santo

Luto em Barra de São Francisco: Morre Carlão figura querida da Vila Landinha e do futebol francisquense
Barra de São Francisco

Luto em Barra de São Francisco: Morre Carlão figura querida da Vila Landinha e do futebol francisquense

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

RECENTES

Explosivo improvisado é destruído pelo Esquadrão Antibombas em Muniz Freire

Explosivo improvisado é destruído pelo Esquadrão Antibombas em Muniz Freire

Mães adoecem no silêncio do pós-parto

Agosto Lilás leva informação, prevenção e proteção às mulheres de Barra de São Francisco

Qualificar ES abre 10 mil vagas grátis em cursos online

Rei do Papel
Elo Modas
Rabisco
Rei das Linhas
Elo baby
Elo Baby Itabirinha
Rei do enxoval
Elo presentes
Renascer
Elo Eletronicos
Elo papelaria Itabirinha
Elo papelaria
  • › Brasil
  • › Esporte
  • › Mundo
  • › Vídeos
  • › Política
  • › Polícia
  • › Geral
  • › Barra de São Francisco

Contatos

WhatsApp: 27 99707 9045
Instagram: @admilsonbrun

  • Sobre Nós
  • Anuncie
  • Contatos

© 2021 - Desenvolvido por Webmundo Soluções Interativas

No Result
View All Result
  • HOME
  • Política
  • Esportes
  • Policial
  • Geral
  • Vídeos
  • + Notícias

© 2021 - Desenvolvido por Webmundo Soluções Interativas

This popup will close in:
CLOSE

CLOSE