A prisão temporária foi concedida após pedido da delegada Raffaella Almeida, titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).
O mecânico Thomas Henrique Damas Neto Sottani, de 25 anos, que confessou ter matado a namorada Ellen Gonzales e ainda ficou com o corpo por dois dias em casa na Serra, foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana na noite desta quarta-feira (7).
A prisão temporária por feminicídio foi concedida após pedido da delegada Raffaella Almeida, titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).
O mecânico se entregou à polícia e confessou ter matado a namorada na manhã desta quarta. Ele alegou que agiu em legítima defesa depois que ela o atacou. Ellen, que é uruguaia, foi morta por esganadura na casa onde os dois viviam juntos, em Parque Jacaraípe, na Serra.
No entanto, a versão contada por Thomas não convenceu a delegada Raffaella.
“Ele alegou que matou depois que ela iniciou uma agressão contra ele, que teria agido em legítima defesa. Mas é habitual nos casos de feminicídio o autor jogar a culpa na vítima, que não ter mais como se defender por ter ido a óbito”, explicou.
Thomas está com o braço quebrado, mas a delegada contou que ele confessou que isso aconteceu depois que deu um soco em Ellen.
“Ele mesmo confessou que deu um soco e em virtude desse soco, quebrou a mão. Os arranhões que ele tem na face podem ser um reflexo de defesa da vítima”, explicou a delegada.
Thomas, inicialmente, não será autuado porque se entregou depois que passou o período de flagrante, por ter ficado dois dias com o corpo dentro de casa antes de se entregar. O mecânico justificou que estava em estado de choque e também achava que a namorada estava apenas desmaiada, mas essa resposta causou estranheza na delegada.
“Depois que ela veio a óbito, ele não ligou para o Samu, não chamou ninguém, e ainda dormiu na mesma casa com o corpo. Foi trabalhar normalmente, depois foi para o hospital porque percebeu que a mão estava quebrada, dormiu no outro dia na casa do pai. É esquisito”, falou.
De acordo com a delegada, mesmo que o mecânico tenha alegado que não buscou ajuda antes por estar em estado de choque, não é descartada a hipótese de que ele só comunicou a morte nesta quarta para fugir do flagrante.
Ele vai passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (8), para saber se ele continua ou não no Centro de Triagem de Viana.
Versão da defesa do suspeito
A advogada do suspeito, Rosana Carlos Ribeiro, disse que o mecânico agiu em legítima defesa. “Ele estava em estado de choque. Ele não tem essa índole, ele é um mecânico, desempregado. E conheceu essa mulher há pouco tempo”, contou.
Segundo a advogada, as brigas entre o suspeito e a vítima eram constantes. “Na primeira vez, ele fez uma ocorrência junto ao Ciodes. Ela já tentou matá-lo duas vezes, inclusive com facas. Dessa última vez, eles estavam usando bebida alcoólica e houve uma discussão entre os dois. Ela pegou uma faca e foi para cima dele. Ele deu uma ‘chave de braço’ nela, infelizmente aconteceu isso. Ele ficou desesperado, porque não tinha intenção”, disse.
Depois de matar a mulher, o mecânico foi até o pai dele pedir ajuda e engessar o braço, que ficou machucado. “Ele agiu em legítima defesa. Ele estava desorientado, não sabia o que fazer”, falou a advogada.
Fonte: Mantena Online







