Denunciado pelo crime de corrupA�A?o passiva pela Procuradoria Geral da RepA?blica, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) abandonou de vezA�toda a liturgia do cargo e partiu para o contra-ataque verbal direto a Rodrigo Janot, insinuando que o chefe do MinistA�rio PA?blico Federal receberia dinheiro ilA�cito. Acuado, o peemedebista tenta se segurar no cargo chamando de a�?ficA�A?oa�? a peA�a processual que o acusa de corrupA�A?o na OperaA�A?o Lava Jato.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, esse a�?bateu-levoua�? adotado por Temer tem dois objetivos: no a�?desesperoa�?, tentar mostrar forA�a para evitar debandada de aliados na CA?mara, que decidirA? em breve pelo acolhimento ou nA?o da denA?ncia; e esbravejar o quanto puder para tentar politizar uma acusaA�A?o jurA�dica sustentada em gravaA�A�es e flagrantes.
a�?No caso de Temer, os fatos imputados sA?o gravA�ssimos, disparadamente muito mais graves do que os fatos imputados A� presidente removida Dilma Rousseff (PT). Diante disso, acredito que o discurso de Temer seja pura retA?rica, mais para dizer que nA?o jogou a toalha, que continua firme no jogo para poder fazer um meio de campo com a CA?mara, dizendo que a�?tudo isso aA� A� mentiraa��a�?, avalia o cientista polA�tico Leon Victor de Queiroz, da Universidade Federal de Campina Grande (PB).
Ressalta Leon que fica cada vez mais insustentA?vel a permanA?ncia do presidente no cargo. a�?E no Brasil nA?o se verifica esse cuidado em preservar o paA�s, ou seja, o agarro ao poder A� tA?o forte que o polA�tico acaba levando o paA�s juntoa�?, lamenta.
Nesse instante, Temer tem maioria para evitar que a CA?mara autorize a denA?ncia, mas isso pode mudar conforme o sabor dos ventos, acrescenta o cientista polA�tico Sergio PraA�a, professor da FGV-SP. JA? hA?, inclusive, indicaA�A�es de que o PSD e o DEM vA?o liberar suas bancadas a�� e isso A� sinal de desagregaA�A?o da base aliada, observa PraA�a.
a�?A� um presidente desesperado, que nA?o tem a menor noA�A?o da realidade. Dizer que nA?o hA? provas contra ele A� um absurdo: tem gravaA�A?o, tem um sujeito com mala de dinheiro… O que nA?o tem A� ele mesmo (Temer) com mala de dinheiro, mas A� bom diferenciar o papel do MinistA�rio PA?blico e o papel do JudiciA?rio. NA?o hA? evidA?ncias suficientes para jA? condenar o Temer, mas, para investigA?-lo, sim! Ele quer confundir as coisas, quer dizer que jA? estA? sendo condenado, e na verdade estA? sendo investigado, e para isso sobram evidA?nciasa�?, salienta o professor da FGV-SP.
Toda essa confusA?o e instabilidade apontam para a falta de opA�A�es consensuais na eventual substituiA�A?o antecipada de Temer. Na verdade, conforme salienta PraA�a, qualquer iniciativa para tirar um presidente do poder, desde que nA?o seja o instituto da renA?ncia, A� custosa, leva tempo, exige acordos polA�ticos, requer decidir, inclusive, se haverA? eleiA�A?o direta – entre outros fatores. a�?Tudo isso A� muito incerto e joga a favor de Temer. E, para a denA?ncia passar, precisa-se de dois terA�os dos 513 deputados; A� bastante, e nA?o sei se chega a tantoa�?, frisa o especialista.
Todo processo de retirada institucional do presidente da RepA?blica passa pela CA?mara dos Deputados, que A� o A?rgA?o autorizativo. EntA?o, se Temer mantA�m forA�a na CA?mara, se tem uma coalizA?o bem construA�da e sA?lida, nA?o sofre esse processo institucional da denA?ncia de Janot. Por muito menos Dilma foi apeada do cargo pelo Congresso, compara Leon Victor.
“Veja que Dilma sofreu impeachment sob uma acusaA�A?o bastante frA?gil, bastante controversa do ponto de vista tA�cnico, fazendo coisas que jA? tinham sido feitas por outros presidentes. Tudo bem, um erro nA?o justifica o outro, mas ninguA�m sofreu impeachment, porque a questA?o A� que as consequA?ncias do impeachment sA?o muito mais nefastas do que o perdA?o do erro contA?bil, da falha contA?bil das pedaladas fiscais”, argumenta o professor da UFCG.
Presidente sem fA?lego
O pano de fundo dessa crise generalizada A� que dificilmente Temer recupera a capacidade de governar e de aprovar reformas, observa a cientista polA�tica MA?rcia Ribeiro Dias, da UniRio. a�?A governabilidade estA? absolutamente em xeque. Se Temer continua governando, ele nA?o tem fA?lego, nA?o tem de onde tirar fA?lego para aprovar as propostas drA?sticas que estava encaminhando no Congresso, porque o Parlamento tambA�m estA? muito acuadoa�?.
Isso porque, A�s vA�speras das eleiA�A�es do ano que vem, ninguA�m estA? querendo se comprometer em aprovar medidas duras para a populaA�A?o. a�?Quando um governo estA? forte e banca uma maioria sA?lida, vocA? consegue passar atA� a reforma da PrevidA?ncia, e isso quase aconteceu, inclusive a reforma trabalhista chegou a passar na CA?mara e foi para o Senadoa�?, frisa MA?rcia.
Fonte:Gazeta Online








