A Polícia Civil prendeu, na noite de quinta-feira (27), o pai e a madrasta de uma criança de 4 anos sob suspeita de homicídio e ocultação de cadáver, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a identidade da vítima não será divulgada.
Segundo informações do boletim de ocorrência, a morte teria ocorrido em setembro, mas só foi descoberta após integrantes do Conselho Tutelar confrontarem o pai sobre o paradeiro da criança. Diante das perguntas, ele teria apresentado versões contraditórias e, em seguida, confessado o crime, levando à prisão dele e da companheira.
A ação do Conselho Tutelar começou após a mãe da criança — atualmente em tratamento de saúde — registrar queixas de maus-tratos contra o pai, que estava com a guarda dos filhos havia cerca de dois anos. Outro dos irmãos já havia retornado ao convívio materno após relatar agressões.
Contradições e confissão
Na primeira visita à residência, os conselheiros encontraram apenas a madrasta, que demonstrou nervosismo e afirmou que a criança estaria com a mãe. Horas depois, o pai foi localizado e repetiu a mesma versão, sendo convidado a prestar esclarecimentos na sede do Conselho.
No local, os técnicos relataram que ele mudou suas declarações diversas vezes e, por fim, admitiu que a filha estava morta. A Polícia Militar foi acionada, e o casal acabou detido.
Relatos à polícia
Aos conselheiros, o pai afirmou que, ao voltar do trabalho em 15 de setembro, encontrou a filha sem vida no sofá. Disse ter ouvido da companheira que ela havia matado a criança após um episódio de xixi na cama. Ele relatou ter tentado acionar socorro, mas que foi impedido pela madrasta.
Em depoimento formal, porém, o pai apresentou uma versão diferente: afirmou que a criança e a madrasta tinham uma relação difícil, que houve uma briga sem violência e que a menina teria desfalecido. Ele negou ter agredido a filha, mas admitiu ter visto a madrasta agir com violência em outras ocasiões — situações que não denunciou por medo de perder a guarda.
A madrasta, por sua vez, disse aos policiais que passou a tarde com a criança, que aparentava estar “muito quieta”, e que não prestou ajuda. Segundo ela, foi o pai quem decidiu ocultar o corpo, mesmo após ela alertá-lo de que a menina ainda respirava. Questionada sobre agressões, respondeu apenas: “Não vou falar, porque a gente já vai pegar cadeia mesmo”. Ela confessou ter ajudado a enterrar o corpo.
Investigação em andamento
A mãe da criança compareceu à delegacia, mas não conseguiu prestar depoimento devido ao forte abalo emocional.
O caso foi registrado no 4º Distrito Policial de Guarulhos como homicídio e ocultação de cadáver. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do casal e realizará perícia na residência para reunir novas evidências.







