O Espírito Santo está no topo do ranking do Brasil no número de mortes atribuíveis ao consumo de álcool. De acordo com os dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o estado registrou 1.762 óbitos em 2021, o equivalente a 42,9 mortes por 100 mil habitantes, um índice maior do que a média nacional, que é 32,4 óbitos.
O estudo, que faz análises comparativas entre 2010 e 2021, apontou ainda que a maioria das vítimas era do público masculino (78%), enquanto 27% era do feminino.
Entre as principais causas de óbito no Espírito Santo estão os transtornos mentais por consumo de álcool, cirrose hepática, acidentes de trânsito e violência interpessoal, apontou o estudo.
Principais causas de óbitos atribuíveis ao álcool
| Transtornos mentais e comportamentaisdevidos ao uso de álcool | 18,4% |
| Cirrose hepática | 15,1% |
| Acidentes de trânsito | 15,1% |
| Violência interpessoal | 11,9% |
Fonte: Cisa (Dados de 2021)
Já em relação à faixa etária, as pessoas mais acometidas são têm acima de 35 anos.
Faixa etárias das vítimas de álcool no ES
| 0 a 17 anos | 18 a 34 anos | 35 a 54 anos | + de 55 anos |
| 3% | 14% | 30% | 53% |
Fonte: Cisa (dados de 2021)
Internações provocadas pelo álcool
Outro dado do levantamento do Cisa é referente ao número de internações atribuíveis ao álcool no país. Somente em 2021, o estado capixaba realizou 8.592 hospitalizações relacionadas ao uso nocivo de álcool, sendo que 73% deste público era de homens e 27%, mulheres.
O alto índice de internações coloca o Espírito Santo em terceiro lugar no ranking nacional de internações atribuíveis ao álcool no país, com uma taxa de 209,1 hospitalizações por 100 mil habitantes, ficando acima da média nacional (157,7 internações/100 mil hab.).
Para a socióloga e coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, existem vários fatores que podem justificar o Espírito Santo no topo do ranking nacional.
“Já há alguns anos que o estado se posiciona entre os primeiros colocados com maior número de mortes atribuídas ao álcool do pais. No caso do ES, os transtornos mentais são as principais causas e, neste caso, estamos falando da dependência”, disse Mariana.
Ainda de acordo com a socióloga, as mortes causas por dependência química do álcool estão diretamente ligadas à dificuldade de tratar as pessoas que sofrem com esta doença.
“O Estado precisa se questionar se oferece o tratamento adequado, assim como se os profissionais da saúde estão qualificados o suficiente para atender um paciente que chega em uma unidade básica de saúde (UBS) com sintomas de dependência do álcool”, destacou.
Mariana lembrou que o estado oferece tratamento por meio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), mas que nem sempre esse encaminhamento é realizado nas UBSs, o que dificulta o tratamento destas pessoas.
“Tanto profissionais de saúde do sistema público quanto do sistema participar deveriam incorporar na sua conduta questionamentos sobre o consumo de álcool. Durante uma consulta, aquele profissional tem uma grande oportunidade de orientar o paciente, e se ele agir de forma preventiva pode salvar uma vida”, destacou a socióloga.
A ausência de ações de educação no trânsito e de fiscalização nas estradas também são fatores que colaboram para o alto nível de mortalidade atribuídas ao álcool, segundo a coordenadora do Cisa.
“O Espírito Santo teve algumas iniciativas para tentar reduzir esses números, como, por exemplo, o Estado lançou um edital para que pesquisadores tentem entender o porquê essa grande quantidade de morte, além de reforçar blitz na Capital. Mas ainda é preciso de mais ações preventivas para evitar esses óbitos”, destacou.
Ranking nacional: mortes e internações por álcool
Ainda de acordo com o levantamento do Cisa, os números nacionais apontam para uma queda das mortes (-4,8%) e das internações (-8,8%) atribuíveis ao álcool, quando comparadas as taxas por 100 mil habitantes entre 2010 e 2021.
Quando se fala de mortes atribuíveis ao álcool, atrás do Espírito Santo aparece o Paraná na segunda posição do ranking nacional, com 40,4 óbitos por 100 mil habitantes.
Outros 12 estados também estão acima da média nacional, segundo o levantamento. São eles: Tocantins (39,6), Piauí (36,6), Sergipe (36,2), Mato Grosso (36,2), Pernambuco (36,1), Goiás (35,6), Mato Grosso do Sul (35,5), Paraíba (35,6), Bahia (35,3), Rio Grande do Sul (35,1), Minas Gerais (33,9), Alagoas (33,3) e Ceará (33,3).
Rio Grande do Norte está exatamente na média nacional, com 32,4 mortes relacionados ao álcool por 100 mil. Os demais estados registraram óbitos abaixo da média do país.
Já quando se fala em número de internações atribuíveis ao álcool, o Paraná está no topo do ranking com uma taxa de 238,8/100 mil habitantes, seguido de Piauí com 233,8/100 mil habitantes.
Outros oito estados também estão acima da média nacional, que é de 157,7 internações para cada grupo de 100 mil habitantes. São eles: Rio Grande do Sul (186,9), Santa Catarina (186,4), Tocantins (186), Mato Grosso do Sul (184,3), Rondônia (179,7), Distrito Federal (178,4), Minas Gerais (173,4), São Paulo (160,1), Goiás (158).
Para a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, os gestores estaduais precisam estar atentos a esses números justamente para criar ações que mudem esta realidade.
“As políticas públicas são fundamentais, mas sozinhas não fazem milagre. Quando falamos de internações e mortes atribuíveis ao álcool, estamos falando de um custo muito alto para a Saúde. São recursos que poderiam ser redirecionados em outras áreas, como, por exemplo, na Educação, ou para tratar outros doentes”, disse Mariana.
Fonte: G1








