Impulsionadas pelos resultados clínicos e pela popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, as vendas de medicamentos injetáveis cresceram em ritmo histórico ao longo de 2025. No Espírito Santo, estima-se que cerca de 16 mil pessoas utilizavam essas medicações em novembro, principalmente para controle da obesidade e do diabetes.
Levantamento da Close-Up International mostra que, apenas em novembro de 2025, foram vendidas mais de 820 mil unidades de agonistas de GLP-1 em farmácias do Brasil. Considerando que o Espírito Santo representa cerca de 2% da população nacional, a projeção indica adesão expressiva também no Estado.
Entre os produtos mais procurados estão a semaglutida (como Ozempic e Wegovy), a tirzepatida (Mounjaro) e a liraglutida. As medicações “imitam” o hormônio GLP-1, ajudando a controlar a glicemia, retardar a digestão e aumentar a saciedade.
Mercado aquecido e liderança do Mounjaro
No relatório, a Close-Up destaca que o Mounjaro, da Eli Lilly, consolidou-se rapidamente como líder em valor, com crescimento superior a 30% no último mês analisado. A percepção do avanço também chega ao balcão. Segundo a farmacêutica Natália Possatti, a procura já vinha crescendo e ganhou novo fôlego com a chegada do medicamento: “Chega e sai rápido”.
Mudança no tratamento da obesidade
Para a endocrinologista Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Estado, a difusão das canetas marca uma virada no cuidado com a doença. “A obesidade é uma condição com CID, associada a diabetes, hipertensão, AVC e doença hepática. A conscientização ampliou a busca por tratamento”, afirma. Segundo a médica, a classe do GLP-1 é considerada “disruptiva” por permitir reduções de 15% a 20% do peso.
A nutróloga Mariana Comério reforça que a adesão cresce pela rapidez e consistência dos resultados. “É uma medicação revolucionária. O controle do apetite e da compulsão impressiona, inclusive em pacientes que falharam por anos em outros métodos”, diz. Ela observa ainda mudanças no orçamento e no estilo de vida: “Há quem priorize o gasto, reduza delivery e bebidas, mude o padrão alimentar e até diminua o uso de remédios para hipertensão, colesterol ou diabetes”.
Patentes e concorrência
Entre as moléculas, a liraglutida é a única que já perdeu a patente, com similares lançados em 2025 pela EMS. A patente da semaglutida, da Novo Nordisk, expira em março, enquanto a tirzepatida segue exclusiva da Eli Lilly até 2036.
Como agem no organismo
Os agonistas de GLP-1 estimulam a produção de insulina e inibem o glucagon (pâncreas), retardam o esvaziamento gástrico (estômago) e atuam em áreas cerebrais ligadas ao apetite. A tirzepatida se diferencia por ser duplo agonista (GLP-1 e GIP). As indicações incluem diabetes tipo 2 e controle do peso, sempre associadas a dieta de baixa caloria e atividade física em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades.







