A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Etcamah (camizestranto), indicado para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente metastático, ou seja, quando o tumor se espalha para regiões próximas ou para outros órgãos.
Segundo a Anvisa, o novo medicamento é uma alternativa terapêutica para pacientes que ainda não apresentaram sinais de progressão do câncer em exames de imagem, mas que já registraram a presença do gene ESR1 mutante por meio de uma biópsia líquida, na qual é analisado o sangue do paciente.
O remédio, desenvolvido e fabricado pela farmacêutica AstraZeneca, já havia sido aprovado anteriormente por agências reguladoras dos Estados Unidos e da União Europeia. O oncologista clínico do Hospital Santa Rita, Loureno Cezana, explica que o fármaco é uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de mama metastático.
“Com essa nova estratégia, podemos identificar, por meio de um exame de sangue chamado biópsia líquida, o surgimento de uma mutação no gene ESR1, que indica resistência ao tratamento hormonal, antes mesmo de o tumor apresentar crescimento nos exames. É um passo importante em direção a um tratamento cada vez mais personalizado e dinâmico do câncer de mama metastático”, explicou.
O médico reforça que utilizar uma terapia adequada a esse cenário amplia as alternativas e permite prolongar o controle da doença.
“Para o paciente, isso significa ganhar mais uma opção terapêutica, com a possibilidade de permanecer por mais tempo com a doença controlada e, potencialmente, postergar a necessidade de tratamentos como a quimioterapia”, complementou.
Segundo a oncologista do Departamento de Tumores Mamários do Hospital de Amor de Barretos, Camila Beatrice de Pádua, o medicamento é uma terapia endócrina que atua como degradador seletivo do receptor de estrogênio, o que reduz o crescimento de tumores dependentes desse hormônio.
“Quando há a mutação do gene ESR1, o receptor permanece ativo mesmo com níveis muito baixos de estrogênio, o que acaba sendo o mecanismo de resistência às primeiras terapias endócrinas. O camizestranto vai atuar bloqueando justamente essa via”, pontuou.
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Etcamah foi autorizado | Foto: Divulgação
A Anvisa liberou o registro do medicamento oral Etcamah (camizestranto), desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca, voltado para pacientes adultos diagnosticados com câncer de mama localmente avançado ou metastático.
O fármaco integra a classe das terapias endócrinas que degradam e bloqueiam a atividade do receptor de estrogênio, interrompendo o estímulo de crescimento de tumores dependentes desse hormônio.
O tratamento é indicado para casos em que a biópsia líquida, um exame de sangue, detecta a mutação no gene ESR1 antes de qualquer sinal visível de crescimento do tumor nos exames de imagem.
Essa alteração no gene ESR1 mantém os receptores ativos mesmo com taxas mínimas de estrogênio no organismo, gerando resistência aos tratamentos hormonais convencionais que o novo remédio consegue neutralizar.
Dados do estudo clínico Serena-6 apontam que a medicação reduziu em 56% o risco de progressão da doença ou morte, elevando o tempo médio de controle tumoral de 9 para cerca de 16 meses.
Por ter administração por via oral e retardar o avanço da enfermidade, o composto amplia as alternativas terapêuticas e permite adiar o início de abordagens mais agressivas, como a quimioterapia.
No Espírito Santo, o Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Santa Rita já havia participado de ensaios clínicos internacionais com a molécula (estudo CAMBRIA-2), inserindo pacientes locais no processo de avaliação da nova tecnologia.
Fonte e crédito:Tribunaonline



















