O número de mortos em decorrência dos dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 4.333, segundo novo comunicado divulgado pelo governo venezuelano neste sábado (11). Entre as vítimas, 315 corpos ainda não foram identificados. O total de feridos permanece em 16.740 pessoas, enquanto o governo continua sem divulgar um número oficial de desaparecidos.
Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram destruição em larga escala, especialmente no estado de La Guaira, região costeira próxima a Caracas, onde dezenas de edifícios desabaram. A tragédia é considerada uma das maiores catástrofes naturais da história recente do país.
Mais de 17 mil pessoas permanecem em abrigos
De acordo com o balanço oficial, cerca de 18 mil venezuelanos perderam suas casas após os terremotos. Desses, aproximadamente 17 mil ainda vivem em abrigos públicos. O governo informou que a distribuição de moradias temporárias para as famílias afetadas deverá começar na próxima semana.
As equipes de resgate seguem atuando nas áreas devastadas, enquanto milhares de famílias aguardam assistência humanitária e o início da reconstrução das regiões mais atingidas.
OMS alerta para risco de epidemias nos abrigos
A situação sanitária preocupa organismos internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertaram que a combinação de superlotação, falta de água potável, saneamento precário e infraestrutura insuficiente nos mais de 80 abrigos temporários pode favorecer surtos de doenças como cólera, tuberculose, tétano e sarampo.
Outro fator considerado crítico é a queda na cobertura vacinal entre as populações desabrigadas, aumentando o risco de transmissão de doenças infecciosas, principalmente entre crianças e idosos.
Hospitais de campanha podem ser ampliados
A OPAS informou que trabalha em conjunto com o Ministério da Saúde da Venezuela para conter o avanço de doenças respiratórias e gastrointestinais. A entidade também avalia a instalação de novos hospitais de campanha nas regiões de Caracas e La Guaira, que concentram o maior número de vítimas e registram forte pressão sobre a rede hospitalar.
Além da assistência médica emergencial, equipes internacionais prestam apoio psicológico, distribuem medicamentos e monitoram possíveis surtos epidemiológicos nas áreas afetadas.
ONU estima que 1,3 milhão de pessoas precisem de ajuda
Segundo estimativas das Nações Unidas, cerca de 1,3 milhão de venezuelanos necessitam de assistência humanitária após os terremotos. Para atender à emergência, a ONU mobilizou aproximadamente US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) destinados às operações de socorro, reconstrução e apoio às vítimas.
Enquanto o número de mortos continua aumentando, autoridades e organizações internacionais reforçam que a prioridade é acelerar o atendimento às famílias desabrigadas, recuperar os serviços essenciais e evitar uma crise sanitária de grandes proporções nos próximos dias.




















