– Quando eu estou dentro de quadra eu tento esquecer tudo que está do lado de fora. Eu foco mais no momento, em me divertir, fazer o que eu gosto. E dar o meu máximo sempre. Eu tento não sentir muita pressão, tento manter o equilíbrio entre me concentrar, me divertir, mas não me colocar pressão. E dar o meu melhor sempre.
Especificamente no ataque, eu acho que me desafio. Eu gosto muito. Eu só vou e dou na bola, como dizem por aí (risos).
A tática tem dado certo. Nos últimos dois anos, Ana Cristina explodiu como a principal revelação das quadras do país. Filha da ex-ponteira Cecília Menezes, a Ciça, campeã mundial sub-20 na base e com passagem pela seleção adulta e por clubes como Flamengo e Minas, a jovem foi descoberta em uma peneira em São Caetano. Com 1,92m, se alinhou à perfeição com a procura da CBV por jogadoras mais altas. E impressionou.
– Geneticamente, eu sou abençoada por conta da altura, me envergadura, até mesmo pelos meus pais terem sido atletas. Deixa pequena, com a minha mãe em quadra, ela me ajudou. Hoje, eu acho que sou mais coordenada por causa disso. Eu acho que o melhor fundamento é o ataque. Mas eu gostaria e vou treinar para que eu possa conseguir ser boa em tudo, evoluir em todos os fundamentos – disse a jogadora, que defende as categorias de base do Pinheiros.
No ano passado, Ana Cristina, mesmo aos 14 anos, foi convocada para a seleção sub-18. Em quadra, impressiona pela estatura e pela força no ataque. Costuma alternar entre a saída de rede e a ponta, sempre com um instinto natural no ataque. Atualmente, a jogadora defende as categorias de base do Pinheiros. Ao lado dos pais, ainda define como serão seus próximos passos. Há, inclusive, a chance de já disputar seus primeiros jogos como profissional na próxima Superliga.
No início do ano, foi convocada para o Mundial Sub-20, mesmo sendo bem mais nova que as companheiras. O Brasil foi eliminado ainda na segunda fase, mas Ana Cristina deixou a competição no México como um dos destaques do time. Em setembro, já pela equipe Sub-18, foi eleita a melhor ponteira do Mundial, no Egito. Ali, se confirmou como aposta para um futuro próximo.
– Quando eu fui convocada para o Mundial Sub-20, meus pais não queriam muito por conta da idade. A diferença de idade minha e das meninas era muito alta. E o jogo, completamente diferente. Não sabiam se eu ia me adaptar muito bem. Mas o técnico, o Ayrton Cabral, conversou com eles. Meus pais acabaram me deixando ir e, de fato, consegui me adaptar com a ajuda das outras meninas e da comissão técnica. Consegui muito bem no Mundial Sub-20. Na Sub-18 foi uma continuidade da Sub-20. Eu acho que eu fui com um pouco mais confiança por ser mais a minha categoria. Consegui evoluir um pouco mais com as meninas.
Os pais, claro, têm grande influência no caminho traçado por Ana Cristina. A jovem também é filha de Alex Souza, ex-jogador de basquete, com passagens por Flamengo e São Caetano. São eles que acompanham de perto e cheios de orgulho os passos da pupila.
– É uma emoção ímpar, eu não consigo explicar o que eu sinto ao vê-la dentro de quadra jogando. Vou confessar que prefiro jogar do que vê-la jogando. Porque o coração vai a 1000 por hora, é muito nervosismo. Isso tem me dado muito orgulho, me deixa muito feliz. Mesmo com essa timidez toda, ela consegue ser aguerrida na quadra. Ela vibra, é determinada, sabe muito bem aonde quer chegar. Isso, para um atleta, é maravilhoso. E tem humildade, sabe que ela tem que aprender muita coisa – disse Ciça.
Fonte: Ge