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Promotor fala em barbárie e diz que perícia vai esclarecer caso Daniel

Soluções Interativas por Soluções Interativas
23 de novembro de 2018
em Esportes, Policial
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João Milton Salles diz que espera pela conclusão inquérito e o laudo pericial para individualizar condutas no crime e oferecer denúncia à justiça

O promotor João Milton Salles, do Ministério Público Estadual do Paraná, que acompanha a investigação da morte do jogador de futebol Daniel Corrêa, de 24 anos, revelou na última quinta-feira (8) que precisa aguardar a conclusão do inquérito policial e especialmente o laudo pericial para individualizar as condutas dos suspeitos e denunciá-los à justiça.

Em entrevista exclusiva ao R7, ele disse que o trabalho dos peritos será fundamental para eliminar as contradições contidas nos depoimentos do empresário e esclarecer o crime que classificou como barbárie.

“Os peritos conseguem conversar com as coisas que não falam: os móveis, o corpo da vítima, o local. Isso tudo vai ser confrontado para ver qual dessas versões que ele apresenta serviu para tentar esconder fatos”, enfatizou o promotor.

João Milton Salles acredita que a perícia deverá esclarecer quantas pessoas efetivamente participaram dos “atos bárbaros” contra Daniel, além de identificar as ações praticadas dentro da casa e na mata.

“Documentar a distância, o tempo que percorreram [da casa até o local onde o corpo foi desovado]. Porque eles teriam tempo para decidir o que fariam. Não foi uma coisa inconsciente, de momento”, complementou.

Crueldade

A violência empregada pelos assassinos contra a vítima — o jogador foi espancado, torturado, teve o pescoço praticamente arrancado e a genitária cortada— chamou a atenção do promotor. João Milton Salles considerou o crime hediondo e injustificável.

“Tenho 20 anos de prática na área criminal e poucos casos me causaram tanta indignação pela crueldade. O que essas pessoas descarregaram de violência foi absurda. Elas chafurdaram em cima desse rapaz. É um crime de hediondo. E qualquer tentativa de justificá-lo é impossível. Tentar atribuir isso a qualquer emoção foge à razoabilidade”.

Denúncia

O promotor espera que o inquérito seja relatado pela polícia até meados da próxima semana. Só então ele poderá iniciar o relatório da denúncia que será entregue à justiça com a individualização das condutas criminosas.

“Tenho que fazer um retrato da situação e colocar no papel. Para isso, tenho que descrever a conduta de cada um deles na dinâmica dos fatos. Pode ser que pessoas tenham praticado alguma conduta, mas não a conduta de matar. Somente com a redação [do inquérito] poderei ter a conceituação de qual a conduta e o crime que cada um vai responder”, explicou.

Confira outros pontos da entrevista do promotor João Milton Salles ao R7:

Possível flerte entre Cristiana e Daniel

“O que sei é que estava todo mundo embriagado. A Cristiana possivelmente também estava. O quarto era contínuo ao local onde eles estavam. Tem depoimento de uma pessoa que viu Daniel entrando [no quarto] porque estava usando a suíte. Todo mundo estava circulando e muita gente se pegando. Era uma proposta que fazia parte da dinâmica. Acho que atribuir qualquer conduta nesse aspecto a ele ou a ela é querer deslocar essas pessoas daquela circunstância para um bingo de igreja. Não é a questão de querer sexo ou não. Era uma situação na qual estavam todos próximos e os pudores eram diferentes. São compatíveis com aquela situação. Aí, em um determinado momento se perdeu o controle com uma agressividade gratuita”.

Sexo a três

“Vi isso [hipótese de Edison pedir para Daniel fazer sexo com Cristiana]. Entrei em contato com o delegado. A repercussão da mídia sobre o fato está muito grande. Nessa hora, aparece de tudo. Esse tipo de coisa tem que ser vista com muita parcimônia. [O depoimento] Não é de ninguém que foi ouvido. As pessoas que estavam na festa foram presas ou foram ouvidas. A gente tem que tomar cuidado para não tumultuar o curso do processo”

A casa e a festa

“Você tem impressão que é um lugar meio grande, mas é uma edícula. Tudo aquilo aconteceu muito próximo. Todos interagiam em todas as circunstâncias. Testemunhas disseram que não ouviram gritos [de Cristiana]. Seria humanamente impossível não ouvir, assim como fazer qualquer coisa ali dentro [sem ser notado]. Já tinha casais no quarto. Era um tremendo de um fim de festa. O teor alcoólico dele raramente você vê em uma pessoa. Não teria a menor condição física (de estuprar). Era um teor fora da curva”.

Contradições nos depoimentos do suspeito

“Mudaram muitos detalhes. Por exemplo, a questão do arrombamento da porta, a forma como ele teria entrado no quarto. Ele disse que pegou a vítima com a esposa na cama. Na questão da dinâmica, de como os fatos aconteceram. É muito difícil manter uma coerência mesmo. Porque, só a temos em um fato real. [O crime] Foi uma circunstância muito complexa. Cada vez que surge um fato novo, ele precisa construir outra versão. Demonstra que não falou a verdade”. Que ele mudou depoimento e declarações está demonstrado nas gravações dos depoimentos”.

Perícia

“Você já tem uma experiencia que já sabe o que a perícia vai falar. É uma prova que a contestação fica quase impossível, porque é científica. O que a perícia vai confirmar: os depoimentos de testemunhas, dos réus. Ela é importante até mais para o curso do processo. Porque é ali que o juiz vai formar a convicção dele”.

Reconstituição

“Acho que, nesse momento, fazer uma reconstituição seria mais midiático do que necessário para a demonstração do fato, que é muito claro. O importante é a prova técnica pericial”.

Desova do corpo

“Era um lugar extremamente ermo, dentro de uma região rural. Mas uma região bem habitada. Eles procuraram o local perfeito para cometerem o crime. Não havia como escutar gritos, não havia movimento de transeuntes naquele momento. Esse percurso foi feito durante o dia. À noite, poderiam dizer que todos os gatos são pardos. Mas fizeram durante o dia, andaram em rodovia movimentada. Eles estavam em condições de dirigir. Senão, teriam batido o carro. Tiveram todo o tempo do mundo para pensar e repensar o que estavam fazendo. Há relatos de testemunhas dizendo que o próprio Daniel pedia para não matá-lo. Várias pessoas da casa estavam na festinha e não participaram da barbárie. A quantidade de sangue que jorrou desse rapaz no local onde ele foi morto é indicativo que ele teria que estar vivo quando chegou neste local. Ele chegou lá com vida. Não posso afirmar o nível de consciência dele. Mas ele chegou com vida”.

FONTE:R7

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