A jovem Damaris Vitória Kremer da Rosa, de 26 anos, morreu em 26 de outubro, em Santa Catarina, 74 dias após ser absolvida da acusação de homicídio que a manteve presa por quase seis anos no Rio Grande do Sul. O caso reacende o debate sobre os limites da prisão preventiva e o acesso à saúde dentro do sistema prisional.
Damaris foi presa em junho de 2019, acusada de envolvimento na morte de Daniel Gomes Soveral, em Salto do Jacuí (RS), em 2018. Segundo a denúncia, ela teria atraído a vítima até o local do crime, onde Daniel foi executado com um tiro na cabeça. No julgamento de agosto de 2025, porém, o júri absolveu Damaris e outro réu, condenando apenas Henrique Kauê Gollmann como autor do disparo.
Durante o período em que permaneceu presa preventivamente, Damaris começou a apresentar dores e sintomas de saúde ainda em 2024. A defesa relatou que, apesar de múltiplas idas ao hospital, os atendimentos se limitaram à prescrição de analgésicos como tramadol e dipirona. O diagnóstico de câncer de colo do útero em estágio avançado só foi confirmado em março deste ano, após autorização judicial para uma consulta particular.
Mesmo após a descoberta da doença, os pedidos de prisão domiciliar foram inicialmente negados. O benefício só foi concedido quando a situação clínica já era considerada grave. Damaris iniciou tratamento oncológico em Santa Cruz do Sul e, posteriormente, foi transferida para Santa Catarina, onde faleceu em casa, ao lado da família.
A advogada Rebeca Canabarro, que representava a jovem, lamentou o desfecho:
“Talvez, se logo no primeiro pedido de prisão domiciliar tivesse sido concedido, o desfecho pudesse ser diferente. Damaris foi mais uma vítima da morosidade e da desumanização do sistema prisional.”
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) informou que três pedidos de liberdade foram analisados: em 2023, novembro de 2024 e março de 2025 — este último, deferido por motivos de saúde. O órgão afirmou não comentar decisões jurisdicionais.
Damaris foi sepultada em 27 de outubro, no Cemitério Municipal de Araranguá (SC). Sua história se tornou símbolo das falhas do sistema prisional e da precariedade no atendimento médico a pessoas sob custódia do Estado.







