Um homem foi condenado a 37 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da companheira, crime que ocorreu em Porto de Santana, em Cariacica, no Espírito Santo. O julgamento foi realizado nesta quarta-feira (24). A sentença também inclui lesões corporais contra uma das filhas do casal, à época com apenas 8 anos, e contra um vizinho que tentou intervir.
O crime aconteceu em dezembro de 2019, durante a madrugada, dentro da casa onde a família vivia. A vítima, Cristina Melo Rosário, de 34 anos, era estudante de enfermagem e havia decidido encerrar um relacionamento de 15 anos com o acusado. Segundo o Ministério Público, esse foi o principal motivador do crime, que foi classificado como feminicídio.
Julgamento e condenações
O réu, Eduardo Cruz da Silva, foi condenado por:
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Homicídio qualificado, com agravantes de:
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Motivo fútil
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Feminicídio (em contexto de violência doméstica)
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Recurso que dificultou a defesa da vítima
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Crime cometido na presença das filhas
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Lesão corporal no âmbito da violência doméstica (contra a filha, então com 8 anos)
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Lesão corporal simples (contra o vizinho Vanderson Coutinho do Rosário, que tentou ajudar)
Durante o julgamento, a família da vítima esteve presente, acompanhando cada etapa do processo. O Ministério Público sustentou a acusação com base em provas técnicas, testemunhos e laudos periciais.
Relembre o caso
Na madrugada de 1º de dezembro de 2019, Cristina foi surpreendida enquanto dormia. Segundo relatos de testemunhas, ela foi agredida fisicamente com socos e chutes. Em seguida, o acusado teria ido até a cozinha, pegado uma faca e desferido diversos golpes na vítima, que chegou a ser arrastada até o banheiro da residência.
As duas filhas do casal, de 8 e 11 anos, presenciaram a cena. A mais velha chegou a tentar impedir o pai, colocando-se à frente da mãe, mas foi agredida com uma cadeirada, sofrendo um corte na testa. As crianças conseguiram pedir socorro aos vizinhos, e um deles, Vanderson Rosário, ajudou no resgate e acionou a polícia.
Tentativa de fuga e prisão
Após o crime, o autor tentou fugir, mas foi contido por moradores da região até a chegada da Polícia Militar. Ele foi preso em flagrante e, desde então, aguardava julgamento no sistema prisional. À época do crime, o acusado era servidor técnico da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Segundo vizinhos e familiares, ele não aceitava o término do relacionamento.
Justiça e memória
A condenação foi recebida com alívio pelos familiares da vítima, que desde 2019 aguardavam uma resposta da Justiça. O caso ganhou notoriedade pela brutalidade e pelo impacto psicológico causado às crianças, que presenciaram o assassinato da mãe.
O julgamento reforça a importância do enfrentamento ao feminicídio, crime que segue sendo uma das maiores ameaças à vida das mulheres no Brasil. A sentença também representa um marco na busca por justiça e na proteção das vítimas de violência doméstica.







