Uma parceria entre a Secretaria da Justiça do Espírito Santo (Sejus) e o setor produtivo tem transformado a vida de 44 internos da Penitenciária Regional de São Mateus (PRSM), por meio de um projeto de ressocialização que alia trabalho, responsabilidade e reintegração social.
Dentro da unidade prisional, os detentos atuam na montagem e acabamento de sacolas de papel, com uma produção média de 30 mil unidades por dia. O projeto é fruto de uma colaboração com a empresa Himaya S.A., que envia os materiais pré-montados à penitenciária para finalização pelos internos.
Trabalho como ferramenta de mudança
De acordo com o diretor da PRSM, Flávio Oggioni, o projeto está em funcionamento desde 2012 e representa uma importante frente de reinserção social. Os internos atuam por 40 horas semanais, após passarem por uma rigorosa avaliação feita pela Comissão Técnica de Classificação (CTC), formada por equipe multidisciplinar que analisa o perfil psicológico e comportamental de cada custodiado.
“Os internos são treinados, aprendem a trabalhar em equipe, desenvolvem responsabilidade e passam a enxergar o trabalho como ferramenta de mudança. Essa parceria reforça o nosso compromisso com a ressocialização no sistema prisional capixaba”, destaca Oggioni.
As sacolas produzidas seguem dois modelos distintos: Offset, com acabamento estético refinado, e SOS, mais resistente e voltado ao custo-benefício.
Impacto social e humano
Para o supervisor sênior da Himaya S.A, Rodolfo Sylvestre de Freitas, o impacto do projeto vai além da produção. “Cada sacola finalizada representa uma história de superação. Nosso compromisso é com a qualidade do produto e com o impacto positivo que podemos gerar na vida dessas pessoas. Acreditamos na força do recomeço”, afirmou.
A experiência tem sido transformadora para muitos dos internos. É o caso de M.A.M., custodiado desde 2017, que concluiu os estudos na unidade e hoje atua na linha de produção. “O trabalho aqui mudou minha vida. Consegui estudar, reduzir minha pena e ajudar minha família. Descobri um novo caminho através do trabalho. Tem sido até uma forma de terapia”, relatou.
Remuneração e reinvestimento no sistema
Os internos recebem um salário mínimo mensal, que é dividido em quatro partes iguais:
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25% para uso pessoal do interno;
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25% depositado em uma conta poupança (pecúlio);
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25% destinados à família (quando há beneficiário);
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25% revertidos ao Fundo Rotativo, utilizado para investimentos no sistema prisional.
O projeto reforça o compromisso do Governo do Espírito Santo e da Sejus com políticas públicas voltadas à ressocialização, dignidade e redução da reincidência criminal, mostrando que a parceria entre poder público e iniciativa privada pode gerar transformações reais.







