Duzentos e três idosos pediram proteção à polícia no último ano no ES, segundo dados da Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa (DEPPI). Cerca de 80% das agressões ocorreram no ambiente familiar. O agressor, na maioria das vezes, é um filho ou uma filha. Mas, por amor ou medo, nem todos os casos são denunciados.
Esses são dados de vítimas que pediram medidas cautelares na delegacia. Elas têm o objetivo de proteger a pessoa imediatamente em uma situação de perigo. Mas devem ser solicitadas pela vítima. Dependem do caso e do crime, mas o agressor pode ser condenado a não se aproximar da vítima, não frequentar determinados lugares, entre outras restrições.
Situações de abuso financeiro devido a uso de drogas são a razão por trás da maioria delas, explica a delegada da DEPPI, Milena Gireli. E a maioria das vítimas é do sexo feminino.
“Notamos que quando acontece violência física, já aconteceram outras com esse idoso. Ele já foi ameaçado, amedrontado ou abusado financeiramente. As mulheres são duplamente vulneráveis: fisicamente e por amor materno. Mas pai e mãe acabam deixando as coisas crescerem tentando proteger o filho. Eles só chegam na delegacia quando a situação realmente se agrava”.
Ela ressalta que a quantidade de medidas cautelares não reflete a realidade do Es. Muito menos o número de boletins de ocorrência que, em 2024, foi de 2.459.
“É um assunto muito delicado. A vítima muitas vezes se cala por amor ou medo. Então ela precisa que alguém fale. Não deixe chegar ao extremo. Denuncie antes”, orienta a delegada.
Idosos também se calam por falta de conhecimento ou por se acharem um fardo na família, diz.
Advogada e mestra em segurança pública, Menara Carlos de Souza explica que atende muitos casos, mas, na maioria das vezes, eles não seguem adiante.
“Muita gente não quer seguir adiante com a denúncia e aí o caso fica escondido, não vira processo judicial. É similar a casos de abuso de criança. Muitas vezes, a família tenta jogar aquilo para debaixo do tapete e resolver de outra forma”.
Uma costureira de 64 anos já foi agredida várias vezes, tanto física quanto verbalmente, pelo filho de 30 anos. Os dois vivem no mesmo terreno em Vila Velha, e os abusos continuam.
Uma testemunha da história, que preferiu não se identificar, conta que a costureira é “prisioneira emocionalmente” do filho.
Números
203 medidas cautelares foram pedidas por pais em 2024.
As Principais vítimas são do sexo feminino.
Na maioria dos casos, os agressores são filhos e netos.
Ao todo, 2.459 boletins de ocorrência foram registrados na Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa (DEPPI) em 2024. Somente em janeiro deste, foram 205 casos.
Como denunciar
A denúncia pode ser feita em qualquer lugar. Isso significa que não é preciso ir à delegacia especializada. Tampouco precisa ser em uma delegacia.
Espaços públicos como unidades de saúde, pronto-atendimentos ou Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) também recebem. Todas as denúncias são investigadas.
Outra opção é denunciar anonimamente pelo disque 100 ou 181.
Fonte: Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa.




















