Mais de uma década depois das principais conquistas do futebol feminino do país, veteranas mostram preocupação com a continuidade e pedem trabalho a longo prazo
Os 120 minutos tensos de Le Havre surpreenderam as francesas. Favoritas, em casa, elas esperavam uma partida mais controlada. Mas o que se viu em campo foi talvez um dos melhores jogos da Copa do Mundo. O Brasil soube se colocar bem diante de um rival forte e superou algumas de suas fragilidades.
Na ótica das jogadoras, a Seleção levou ao campo ”garra, vontade e coragem”. Mas acabou perdendo por 2 a 1, no segundo tempo da prorrogação. Ficou evidente que, no futebol atual, a vontade em campo ajuda e muito. Porém, para se obter o resultado efetivo e de longo prazo precisa mais do que isso.
-
A lesão, a chuteira, o recorde e o apelo: a Copa de Marta, uma rainha coroada mesmo sem título
Após a eliminação, o Brasil ouviu um apelo de Marta para a nova geração, pedindo mais profissionalismo das jogadoras mais novas. Houve também clamor de outras atletas por um olhar mais atento com a base e o desenvolvimento dos clubes no Brasil. É um momento-chave na continuidade da modalidade.
– Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane.
– O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim – desabafou Marta após a eliminação para a França.
Só recentemente se tornou obrigatório aos clubes a formação de times de futebol feminino. Não por acaso as atletas brasileiras estão espalhadas jogando em ligas de diversos países, o que atrapalhou muito o processo de preparação da Copa. O Brasil também demorou muito para organizar campeonatos de base para a busca de talentos – apenas este ano terá um torneio sub-20 local.
A imensa maioria das atletas que hoje representam a seleção brasileira sequer tiveram formação em categorias base. Iniciaram suas trajetórias jogando nas ruas, nos campos de grama sintética e até nas areias das praias do país.
Sobre o trabalho do técnico Vadão, alvo de contestação pelos resultados antes da Copa, o futuro é incerto. Questionado após o jogo, o treinador disse que a permanência está nas mãos da CBF.
– Quando retornei, recebi o convite, a CBF fez um ciclo até a Olimpíada, porque é em seguida. Cabe ao presidente analisar o que aconteceu, ver se é válida a continuidade ou não. (…) A gente entende que houve um certo grau de desgaste, mas o presidente bancou nossa permanência e, embora não tenhamos passado, acho que fizemos uma Copa, dentro de campo, muito boa. Agora cabe à direção tomar a atitude que achar melhor, cabe a pergunta ao Marco Aurélio (diretor da seleção) e à CBF – disse Vadão.
Com a eliminação, as atletas brasileiras deixam a França nesta segunda-feira. Com uma campanha marcada por muitas lesões e desfalques importantes, o Brasil foi eliminado fazendo jogo duro diante das donas da casa. O gol de Amandine Henry saiu apenas no segundo tempo da prorrogação.
FONTE: GE
00:00/04:39








