Vitória é a quinta capital com maior incidência de diabetes no País

Brasil gasta cerca de R$21.8 bilhões com a doença. País é o quarto com maior números de pessoas diabéticas no mundo

A cidade de Vitória está entre as cinco capitais brasileiras com maior incidência de diabetes. Na capital, 10,3% das mulheres dizem ter diagnóstico de diabetes. Os dados foram divulgados pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2017.

O diabetes é uma doença crônica, na qual o organismo não produz a insulina ou, quando produz, ela é incapaz de exercer adequadamente suas funções. Um estudo do Ministério da Saúde mostra que o diabetes cresceu 134% na população feminina, nos últimos 11 anos.

Mas quais são os hábitos que têm contribuindo para o crescimento da doença no Brasil? De acordo com a endocrinologista Flavia Tessarolo, o diabetes cresce no nosso País seguindo uma tendência mundial e, o principal fator que contribui para isso é a epidemia de sobrepeso e obesidade.

Mais de 50% dos brasileiros tem sobrepeso e obesidade, consequência, em grande parte, de hábitos alimentares ruins, com ingestão de alimentos industrializados ultra processados, pouca ingestão de frutas, vegetais e grãos integrais, além de sedentarismo e estresse.

Quais os sintomas do diabetes?

“No diabetes tipo 2, que corresponde a 90% dos casos, a maioria dos pacientes é assintomático e, quando fazemos o diagnóstico, muitas vezes já se passaram 8-10 anos da doença sem o paciente saber”, comentou a endocrinologista. Isso acontece porque os sintomas só ocorrem quando a glicose atinge níveis mais altos, e a partir disso, alguns sintomas começam a aparecer, como sede excessiva, fome, aumento da frequência em urinar, turvação visual e cansaço.

diabético tipo 1 tem um início mais abrupto dos sintomas, pois a glicose aumenta mais rapidamente, levando, além dos sintomas descritos, à perda de peso, apesar do aumento do apetite.

Qual o tratamento?

Flávia Tessarolo explica que o tratamento depende do tipo de diabetes. “Diabéticos tipo 1 são tratados exclusivamente com insulina. Para o diabetes tipo 2, temos uma variedade de medicamentos orais, injetáveis e insulina. A escolha depende da idade do paciente, doenças associadas e nível de glicose no sangue. Para todos os casos, mudança do estilo de vida, com alimentação saudável e exercício físico, é parte fundamental do tratamento”.

Atualmente, há cerca de 16 milhões de pessoas com diabetes, segundo a Organização Mundial da Saúde. A maioria dos pacientes diabéticos não tem acesso ao tratamento adequado, estando mais propensos a desenvolver complicações futuras.

Conviver em harmonia com a doença… 

“Educação em diabetes é essencial para todos os pacientes, que devem encarar a doença de frente, com o apoio da família. Quando uma pessoa está diabética na família, todos precisam rever os hábitos e contribuir tendo uma vida mais saudável. Costumo dizer que o diabético pode comer igual a todo mundo, mas todo mundo deveria comer como o diabético”, alertou a médica.

Evolução da doença 

Quando não controlada adequadamente, ocorrem complicações crônicas, como comprometimento dos rins, levando à insuficiência renal crônica; comprometimento da retina, levando à cegueira; infarto; Acidente Vascular Cerebral; neuropatia periférica levando à falta de sensibilidade nas pernas, aumentando o risco de amputação e neuropatia autonômica, como impotência.

Apesar de ser uma doença que acomete muitas pessoas, uma pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha mostra que o brasileiro sabe muito pouco sobre o diabetes.

Os estudos mais recentes do Congresso da American Diabetes Association serão apresentados no Workshop da ADJ Diabetes Brasil, que acontecerá no dia 13 de junho, em São Paulo, onde serão discutidos os mais recentes avanços de pesquisa, tratamento e atenção ao diabetes, além do debate em torno  dos custos do diabetes e suas complicações para o Governo.

FONTE: FOLHA VITÓRIA