Primeira vítima fatal em Minas de doença misteriosa

Morreu nesta terça-feira (07), em Juiz de Fora, um dos pacientes com uma doença considerada “misteriosa” pela Secretaria da Saúde do Estado de Minas Gerais. As informações são do Governo de Minas Gerais.

Assim como os outros sete pacientes, o homem deu entrada no hospial com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ ou dor abdominal) associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida, seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório e paralisia descendente.

A doença e as investigações

No dia 30 de dezembro de 2019, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs Minas) foi notificado da ocorrência de um caso de insuficiência renal aguda com alterações neurológicas de um paciente internado em hospital privado de Belo Horizonte.

Já no 31 de dezembro, foi notificado um segundo caso, com os mesmos sintomas, de um paciente internado em um hospital de Juiz de Fora. A partir dessas notificações, foi desencadeada uma investigação conjunta do Cievs Minas e Cives Belo Horizonte para esclarecimento do diagnóstico e busca de novos casos.

Até esta quarta-feira (08), foram notificados nove casos suspeitos, com início de sintomas mais precoce no dia 19 de dezembro de 2019. Um deles foi descartado pelo fato de não apresentar os mesmos sintomas dos demais e por ter doença renal prévia.

Todos os pacientes são do sexo masculino, com idade entre 23 e 76 anos, cinco residem em Belo Horizonte, um em Ubá, um em Buritis e um em Nova Lima; sete deles internados em hospitais da região metropolitana de Belo Horizonte e um em Juiz de Fora. Um foi descartado pelo fato de não apresentar os mesmos sintomas dos demais e por ter doença renal prévia.

A média de dias entre o início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias. Todos com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ ou dor abdominal) associados à insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas.

Exames laboratoriais estão sendo realizados na Fundação Ezequiel Dias (Funed) e ainda não há resultados conclusivos.

As investigações, realizadas por uma força tarefa composta por técnicos da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e Cievs Minas, da Secretaria Municipal de Saúde de BH (Cives BH) e do Ministério da Saúde (EpiSUS), estão em andamento.

O que dizem os órgãos públicos mineiros

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, eles, desde quando foram notificados, acompanham, monitoram e investigam os aspectos clínicos, epidemiológicos e sanitários que envolvem a ocorrência.

Segundo a secretaria, essa investigação abrange, inclusive, ação dos fiscais sanitários na coleta de alimentos e demais produtos, para análise laboratorial, além de vistorias nos locais de aquisição desses produtos.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que trabalha no levantamento de informações para verificar se o fato tem indícios de crime.

“As investigações estão em andamento, com a realização de entrevistas, comunicação com outras instituições públicas, entre outras providências pertinentes, primando por procedimentos científicos que permitam analisar se existe nexo entre os eventos e/ou vítimas. Até o momento, amostras de bebidas foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística e estão sendo examinadas. Esclarece, ainda, que somente será instaurado inquérito policial se houver indicativos de ação criminosa. Outras informações serão divulgadas em momento oportuno”, diz o pronunciamento da polícia mineira.

A SES-MG ainda faz um alerta à população de Minas Gerais. “Devem ser imediatamente notificados (em até 24 horas) ao CIEVS BH (casos de Belo Horizonte) e CIEVS Minas (casos do restante do estado), pelo telefone e por e-mail, os casos ocorridos a partir de primeiro de dezembro de 2019 que iniciaram com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ ou dor abdominal) associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (até 72 horas) seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório e paralisia descendente”.

Fonte:Tribunaonline