Número de casos de zika volta a crescer no Estado

O número de casos de zika no Estado tem voltado a crescer.

Até o fim de agosto foram registrados 995 casos, indicando um aumento significativo se comparado ao mesmo período de 2017, com 520 casos, e em 2018 com 404 notificações.

Nessa quinta-feira (5), foi divulgada uma pesquisa que comprovou que o vírus da zika pode causar problemas neurológicos como confusão mental e dificuldade motora, além de se multiplicar no cérebro de pessoas adultas.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que levaram mais de três anos para desenvolver a pesquisa, publicada ontem, na Nature Communication – um dos principais veículos de divulgação científica do mundo.

Os pesquisadores usaram fragmentos de cérebro adulto em laboratório e camundongos para realizar a pesquisa.

O coordenador do estudo e professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, Sérgio Ferreira explicou que a pesquisa surgiu com o surto de zika no País, em 2016.

“Muitos achavam que para os neurônios adultos os vírus eram resistentes, infectando apenas as chamadas células progenitoras, associando os casos de microcefalia em bebês. Com a pesquisa comprovamos que o vírus infectava também os tecidos cerebrais adultos”.

Sérgio explicou que os camundongos testados com o vírus apresentaram confusões mentais como desorientação, perda de memória e da função motora.

A neuropediatra Larissa Freire Krohling ressaltou que nem todos que foram infectados pelo vírus apresentarão comprometimento neurológico. Ela destaca que o diagnóstico e baseado em critérios clínicos, epidemiológicos e laboratoriais.

“Já o tratamento para Zika é sintomático e o manejo das complicações neurológicas dependerá do tipo de afecção”, frisou.

De acordo com o infectologista Crispim Cerutti Junior, 80% dos casos de Zika podem não apresentar sintomas. “O que mais chama atenção são as manchas no corpo. Outros sintomas são similares a uma gripe forte ou dengue, como dor de cabeça, no corpo e febre”.

Pensão para crianças que nasceram com microcefalia

O governo federal modificou uma Medida Provisória (MP) que assegura a pensão especial por toda a vida para crianças vítimas de microcefalia decorrente do vírus Zika.

O benefício será concedido apenas a quem nasceu entre 2015 e 2018 e cuja família receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio no valor de 1 salário-mínimo concedido a pessoas de baixa renda.

O anúncio foi feito na última quarta-feira. Para obter a pensão vitalícia, a pessoa que se enquadrar nos critérios deverá requerer ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O procedimento vai envolver uma avaliação da condição da criança por meio de perícia médica, que examinará a relação entre a microcefalia e o vírus Zika.

No total, 3,1 mil crianças se enquadram no universo potencial da pensão. Segundo o Ministério da Cidadania, o período foi estabelecido pelo fato desses terem sido os anos de pico da incidência da doença em todo país. No Espírito Santo, houve um surto em 2016.

Números da Zika no Estado

– De 30 de dezembro de 2018 até o dia 31 de agosto foram registrados no Estado 995 casos de infecção pelo zika vírus.

– Em 2018 até a 35ª semana epidemiológica foram registrados 404 notificações

– Em 2017 no mesmo período foram 520 notificações.

– Já em 2016, ano em que houve surto da doença no País, até a 35ª semana epidemiológica foram 2.845 notificações.

Saiba Mais

Pesquisa

Os pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) após o surto de Zika, em 2016, resolveram testar em laboratório os efeitos do vírus nos adultos. O estudo levou três anos para ser desenvolvido e contou com 22 pesquisadores.

No teste foram usados tecidos cerebrais humanos que foram infectados pelo zika vírus.
o vírus infectava os neurônios e se replicava dentro do neurônio humano.

Os pesquisadores então, testaram o efeito do vírus em cérebros de camundongos. Nos animais as confusões foram as seguintes: perda de memória, da função motora e desorientação.
a infecção causava um processo inflamatório no cérebro dos roedores e resultava na perda de sinapses – que é o processo em que os neurônios transmitem impulsos entre si.

Tratamento

Para tratar os camundongos, os pesquisadores utilizaram dois medicamentos: um medicamento anti-inflamatório, o infliximab hoje usado para o tratamento da doença de Crohn; e o antibiótico minociclina, que juntos fizeram com que os camundongos não desenvolvessem mais os sintomas.

Sintomas da Zika

Febre baixa, dor nas articulações, dor muscular, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, conjuntivite, erupções cutâneas avermelhadas que podem coçar.

Outros sintomas são poucos comuns como: dor abdominal, diarreia, constipação , pequenas úlceras na mucosa oral.

Em mulheres grávidas, caso sejam infectadas, o vírus pode afetar as chamadas células progenitoras ou neurônios ainda imaturos, causando a microcefalia.

Fonte: Sesa e UFRJ./Tribuna Online