Nem desconto de 50% evita fracasso de público no retorno da Seleção ao “Mané Stadium”

Senegalês ganha torcida com simpatia, jogadas individuais e bola na trave. Público de 21.621 nesta noite de quinta contrasta com mais de 50 mil há cinco anos na goleada brasileira contra o Japão

Vestidos com a camisa do Liverpool, o singapurense Murali Krishnan e o filho corriam apressados para assistir ao jogo de Senegal e do Brasil. Sim, para eles, primeiro importava a seleção senegalesa. O motivo: Sadio Mané. O ídolo do Liverpool era de longe o nome mais festejado entre os 30 jogadores que entraram em campo na noite desta quinta-feira no empate de 1 a 1 – gols de Roberto Firmino e Diédhiou, de pênalti, em jogada justamente do camisa 10 de Senegal. No fim, Mané ainda bateu na trave.

O Brasil volta a treinar nesta tarde de sexta em Singapura – manhã de 6h30 horário de Brasília. O jogo contra a Nigéria será domingo, às 20h locais – 9h de Brasília. Com dois empates (Colômbia e Senegal) e uma derrota, o time de Tite não vence desde a final da Copa América, nos 3 a 1 sobre o Peru

Apesar da corrida por um lugar no estádio, pai e filho não precisavam correr. O estádio esteve muito longe de encher. O fracasso de público poderia ser maior não fosse a promoção de última hora. Foram apenas 20.621 pessoas no estádio Nacional de Singapura – contra 51.577 torcedores nos 4 a 0 do Brasil contra o Japão, em 2014. Nem mesmo o desconto de 50% para a compra de ingresso nos últimos dias mudou o panorama. A entrada que antes custava 60 dólares singapurenses – cerca de R$ 180 – caiu para 29 dólares singapurenses – R$ 90.

Comprei meu ingresso somente hoje. Sinceramente, não vi tanta publicidade para esta partida. Talvez estivesse mais cheio. Mas acho que se fossem os reservas do Liverpool em campo hoje teria mais gente – brincou Murali, que tem entre os preferidos, claro, Mané e o brasileiro Fabinho.

O volante, por sinal, protagonizou cena curiosa. No segundo tempo, levantou-se em direção ao vestiário no momento em que Tite fazia a primeira substituição para a entrada de Everton. Os torcedores, fascinados pelo futebol inglês e especialmente pelo Liverpool, vibraram. Mas, aparentemente, o volante brasileiro voltou normalmente minutos depois de entrar pelo túnel e não foi ao gramado.

Ex-jogador, com passagens pelo futebol suíço – país onde conheceu a atual mulher que vive com ele em Singapura – e hoje professor de futebol, Leo Rocha mora há sete anos no país asiático e espera ainda menos gente contra a Nigéria – pois não tem nenhum ídolo local, como é Mané. Há impressão distinta, porém, entre organizadores, que consideram a possibilidade de o público preferir assistir ao segundo e último jogo apenas. Nem CBF nem a Pitch falam sobre o baixo público em Singapura.

– Acho que dessa vez escolheram mal os adversários. Aqui quase não tem africano em Singapura. Brasileiros somos uns dois mil. Contra o Japão estava lotado, cheio de japonês, muitas camisas azuis, porque eles têm colônia grande aqui, clubes sociais e tudo mais. Os jogos da liga local não tem nem 100 torcedores, são só familiares quase. E olha que eles incentivam com sorteio de TV nas partidas, essas coisas – comentou o brasileiro.

Na saída do jogo, o capitão brasileiro Daniel Alves, que votou em Mané entre os melhores do mundo e viu “grande duelo” contra o senegalês no empate, admitiu que esperava público maior no estádio Nacional de Singapura.

– Sem dúvida esperava mais. Pelo fato de que tivemos que nos mover de bastante longe, tinha expectativa maior com relação a isso, mas infelizmente não teve. Por respeito aos que vieram torcer por qualquer uma das duas seleções, teríamos que dar nosso melhor, entregar nosso máximo. Sem dúvida fazem esforço para vir aqui, pagam ingresso e sempre querem ver o melhor nível das duas seleções. Mas acho que houve grandes momentos no jogo, outros nem tanto também. Mas é isso, competição em alto nível é isso – comentou o lateral brasileiro.

Fonte: Ge