Motor do Atlético-GO, Moacir enfrenta drama em casa e inspira a luta da esposa contra o câncer

Jogador concilia sonho do acesso à Série A com batalha ao lado da mulher, diagnosticada com tumor no fêmur. Contra o Coritiba, ele fez gol e comemorou “de muletas” em homenagem

Ao comemorar o gol que abriu a vitória sobre o Coritiba saltitando e simulando o uso de muletas, Moacir homenageou a esposa, Emannuela Silva, e revelou um drama que o casal enfrenta há cerca de dois meses: a luta contra um câncer.

Emannuella foi diagnosticada com tumor no fêmur, e, desde então, o volante do Atlético-GO concilia um dos melhores momentos da carreira com o drama em casa. Enquanto sonha com o acesso à Série A, ele também auxilia e inspira a esposa na batalha contra a doença.

Quando a bola entrou no último domingo e sacramentou o primeiro gol do atleta na Série B, ele fez questão de demonstrar o carinho pela companheira que conheceu ainda em Pernambuco e com quem tem três filhos pequenos: Igor, de 12 anos, Mohara, de 9, e Sophia, de 8.

– No momento, você fica anestesiado. Eu tinha outras comemorações para fazer, pois os filhos pedem uma ou outra dança, mas na hora só veio a Emannuella na cabeça. Pelo fato de ela estar usando muletas, decidi fazer aquela comemoração para homenageá-la.

– Fiquei bem emocionada, confesso que não esperava. Ele não fala o que vai fazer nas comemorações. É coisa dele com as crianças. Quando vi, já estavam gritando gol e foi uma emoção bem legal – diz Emannuella.

Pilar do time e da família

Motor do meio-campo rubro-negro, Moacir é considerado, ao lado de Kozlinski e Mike, um dos destaques do Dragão no torneio. Ao vencer o Coritiba em confronto direto no Couto Pereira, o time chegou aos 37 pontos e assumiu a vice-liderança. Apesar do momento delicado, o jogador reforça o comprometimento dentro e fora de campo.

– Tento separar minha vida pessoal da profissional. Quando chego ao clube, do portão para dentro sou o Moacir jogador. Tenho que fazer meu trabalho, me empenhar e me doar ao máximo. Quando saio, cuido dos meus problemas pessoais, minha família e assim vou conduzindo minha vida. Costumo usar muito meu equilíbrio para todos os momentos. Sou um dos pilares da família e tenho que me manter firme para mantê-los firmes também. Se eu cair, provavelmente eles cairão comigo.

Aos 33 anos, Moacir tem a experiência de já ter jogador por clubes como Corinthians, Sport, Coritiba e Fortaleza, dentro outros. Antes do Atlético-GO, defendeu o Vila Nova, pelo qual também lutou por acesso na Série B.

Ao contrário da passagem pelo Tigre, quando se revezava entre lateral-direita e meio-campo, no Dragão o volante se tornou titular absoluto. Além da força física e da facilidade para chegar ao ataque, Moacir também se destaca pela calma e serenidade. O que, segundo Emannuela, predomina também fora de campo.

– Ele que dá o equilíbrio em casa. Eu sou mais agoniada, mais nervosa. Quero resolver tudo rápido. Ele que vem pra dizer “calma”. Aí tem que respirar fundo e obedecer, né? Mas mesmo nessas situações mais difíceis ele está do mesmo jeito. Não se desequilibra. Por dentro, pode ser que ferve, mas pra gente ele tenta manter a força e dá certo.

Na segunda-feira (9), um dia após o gol e a comemoração marcante, Moacir e a esposa decidiram que era o momento de raspar a cabeça. Emannuella já está prestes a fazer a segunda sessão de quimioterapia no Hospital Araújo Jorge. O casal contou com a ajuda dos filhos e postou um vídeo emocionante nas redes sociais .

– Estávamos adiando esse momento. O cabelo já estava caindo bastante, havia cabelo pela casa inteira. Já fui preparando as crianças. A menorzinha (Sophia) sentiu mais um pouco. Ficou mais preocupada, mas entrou na dança. É um momento difícil, mas necessário.

– Foi o momento que eu achei que ela fosse se incomodar muito. Sabemos da vaidade da mulher no cabelo. Mas ela assimilou bem. Eu também. Fui o arquiteto capilar. Sabemos que é um mal necessário. Mas ela está aí, linda do mesmo jeito – elogia Moacir.

Apesar da dificuldade para andar, Emannuella nem sempre precisa da muleta e se vira com independência nas atividades do dia a dia. O que começou como uma simples dor no joelho e dava a impressão de ser só consequência da rotina de academia se mostrou grave, mas ela conta que os médicos colocam na casa de 95% as chances de cura.

– Achávamos que era algo muscular, pois eu sempre gostei de treinar. Após vários diagnósticos diferentes, resolvemos fazer uma ressonância e descobrimos que era um tumor ósseo. Mas nós temos uma base forte, a família está apoiando e não dá para retroceder agora. Estamos firmes e confiantes na cura completa até o fim do ano.

Fonte: Ge