Mancha de óleo afeta vida marinha capixaba, diz especialista

No começo de setembro, manchas de óleo começaram a aparecer em praias do nordeste, e atualmente, já atingiram nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Mesmo que as manchas de óleo não cheguem diretamente nas praias capixabas, haverá um impacto indireto à vida marinha local. É o que diz o professor Christiano Demétrio, mestre em Biologia Animal. Segundo ele, o prejuízo pode ser especificamente aos animais que para sobreviver, dependem de espécies que estão nos locais atingidos.

 

“Consequentemente, a vida marinha diminuirá na região, devido à contaminação com esse óleo, em um efeito chamado de cascata trófica (quando o poluente se concentra nos predadores do topo de cadeia, que geralmente são espécies que consumimos como: Garoupas, Badejo, Cação). Uma perda no topo da Cadeia Alimentar causaria grandes impactos sobre outras espécies, tanto de animais como de plantas”, explicou.

No entanto, de acordo com o professor, seria necessário o monitoramento populacional da fauna e flora atingidas pelo óleo para verificar quais espécies foram afetadas para, de fato, comprovar os possíveis danos às espécies do litoral capixaba.

O biólogo Flávio do Nascimento Coelho, expressou uma preocupação com a Ilha da Trindade.

“A mancha pode impactar a fauna migrante como a das Baleias e das Tartarugas uma vez que os poluentes consumidos entram na cadeia trófica, eles podem afetar espécies de interesse pesqueiro. A maior preocupação é a, Cadeia de Abrolhos na Ilha de Trindade, local de maior biodiversidade e interesse ecológico no Brasil”, ressaltou.

Iema

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) esclareceu por meio de nota, que uma equipe, composta por oceanógrafos especialistas neste tipo de acidente, está acompanhando todos os acontecimentos na costa nordeste do Brasil, com atenção.

O órgão também informou que, até o momento, não é possível confirmar o atingimento do material na costa capixaba. A preocupação é se o material chegar até a região sul da Bahia, onde as correntes marinhas incidem, preferencialmente, em direção ao Espírito Santo, o que em tese poderia trazer este resíduo até o Estado.

Investigação
Fernando Azevedo, ministro da Defesa, afirmou nesta quinta-feira(10), que está apurando o responsável pelo derramamento do óleo que já atingiu nove estados do Nordeste, que segundo ele, não tem origem brasileira.

Fonte: Tribuna Online