Homem de 60 anos preso acusado de matar irmãos em Ibiraçu

O principal suspeito de ter assassinado de forma brutal dois irmãos em Ibiraçu, na região Norte do Espírito Santo, foi preso nesta sexta-feira (14). A Polícia Civil afirmou que o caso está sob sigilo de investigação, e, por isso, não serão divulgados nome e foto do suspeito.

O delegado Fabiano Alves Azevedo de Melo, titular do DP de Ibiraçu, diz que o acusado é um homem de 60 anos e foi preso no meio da rua, por meio de um mandado de prisão temporária. “Ele é o principal suspeito do latrocínio. Diversos indícios o apontam como autor dos crimes. Testemunhas o apontaram próximo à residência dos irmãos. Ele nega, mas há várias contradições no depoimento dado à polícia”, contou o delegado à reportagem do Gazeta Online.

Ainda segundo o delegado, imagens de videomonitoramento mostram o acusado carregando braçadeiras similares às usadas para enforcar os dois irmãos.

O acusado foi levado para o Centro de Detenção Provisória de Aracruz. Nos próximos 30 dias, período da prisão temporária, a polícia vai continuar com a investigação para apurar se há outros envolvidos no crime ou se o acusado agiu sozinho.

(Com informações de Samira Ferreira)

Gazeta Online

A notícia da prisão do suspeitou tomou conta da pequena cidade de Ibiraçu. Chocados com a brutalidade do crime e revoltados com o suspeito de ter assassinado os irmãos, moradores chegaram a colocar fogo em frente à loja que pertence o acusado. Um outro grupo de moradores ficou aglomerado na praça da cidade, em frente à delegacia, onde estava o homem detido por meio de mandado.

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O CRIME

Os irmãos Lucas de Martha Cera, 22 anos, e Luérick de Martha Cera, 18 anos, foram amarrados e enforcados na manhã do dia 12 de julho, na residência em que moravam com os pais. De acordo com a Polícia Militar, os irmãos haviam vendido uma caminhonete Hilux e estavam de posse de R$ 30 mil, fruto da negociação. Testemunhas disseram no local do crime que um dos irmãos foi visto no cartório às 9 horas daquele dia para o trâmite da venda do veículo. A Polícia Civil informou que as mortes ocorreram entre 9h30 e 11 horas.

Quando me falaram, a minha ficha não caiu. Queria ver os corpos dos meus filhos, mas não deixaram. Tive que ir para o pronto-socorro, não aguentei. Espero que a Justiça tome as providências necessárias para que venha à tona quem fez isso com eles

Mãe dos jovens assassinados

Segundo as testemunhas, o pai dos rapazes chegou em casa e estranhou ao ver tudo trancado e os chinelos dos filhos do lado de fora. Ele procurou uma chave que costumam deixar em um local do lado de fora da residência, mas não estava lá. Com isso, o pai pediu ajuda de outras pessoas para conseguir entrar. Assim que entrou, encontrou os corpos de Lucas e Luérick em cima de uma cama, com os braços amarrados para trás. Os pais dos jovens ficaram tão abalados com o crime que precisaram ser levados ao pronto-socorro.

A casa possuía câmeras de videomonitoramento, mas o circuito de gravação foi levado pelo assassino.

“FOI UMA BARBARIDADE”, DIZ MÃE

A dona de casa Elizena, mãe dos jovens assassinados

A dona de casa Elizena, mãe dos jovens assassinados
Foto: Victor Muniz

Emocionada, a mãe de Lucas e Luérick fez um desabafo sobre a violência contra os filhos e implorou por Justiça. Ainda sob efeito de remédios após receber a notícia do assassinato de Lucas e Luérick, a dona de casa Elizena de Martha conversou com a reportagem do jornal A Gazeta durante o velório realizado no ginásio poliesportivo da cidade, no bairro Ericina.

Elizena relembrou o momento em que recebeu a notícia de que os filhos tinham sido assassinados. “Quando me falaram, a minha ficha não caiu, só depois. Queria ver os corpos dos meus filhos, mas não deixaram. Tive que ir para o pronto-socorro, não aguentei. Só agora de manhã que eu pude ver. Espero que a Justiça tome as providências necessárias para que venha à tona quem fez isso com eles”, implorou.

A dona de casa comentou a situação em que o crime se deu. “Foi uma barbaridade, foi crueldade que fizeram com meus dois filhos. Meu coração está partido, minha cabeça está mais ou menos porque estou sob efeito de remédios. Perder um filho não é fácil, quanto mais dois”.

Elizena disse que a família já foi vítima da violência, mas que dessa vez a situação terminou de uma forma que ela não esperava. “Anos atrás, quando eles eram pequenos, sofremos três assaltos. E agora ocorreu isso, depois de muito tempo. Salvei o carro, salvei as vidas dos meninos, salvei o pai, salvei a minha vida e, agora, não pude”, lamentou.

A ÚLTIMA CONVERSA

O estudante Thiago Moro, 17 anos, amigo de Luérick, disse que conversou com ele antes do crime, e que tinha marcado de jogar bola com ele.

“O Lucas trabalhava lavando carros e o Luérick estava terminando o terceiro ano do ensino médio. O sonho dele era fazer odontologia. Desde que a gente nasceu a gente era amigo. Eu conversei com o Luérick uma noite antes da morte dele, me chamou para jogar bola. Na manhã do crime, pouco antes ele me mandou mensagem no snapchat dando bom dia. Eram 9h da manhã. Eu ia até brincar com ele, mandar ele arrumar um serviço porque ficava sempre mandando essas mensagens pelo celular. Aí depois mandei uma brincadeira para ele pelo Whatsapp, mas ele não visualizou. Eram 9h43 a última vez que ele olhou. Pouco tempo depois um amigo veio me dizer que ele e o Lucas tinham morrido. Achei até que era brincadeira. Ele tinha acabado de fazer 18 anos e sonhava em tirar a carteira de motorista. Nem sei o que falar. Só lembro dos nossos momentos felizes”.

(Com informações de Victor Muniz)

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