Gari tietado por Rafinha sonha em assistir ao Flamengo no Maracanã: “Única vez foi para ver Papai Noel”

Luciano Delfino conta como aconteceu encontro com o jogador e elogia lateral “humildão”: “A gente que trabalha com coleta passa despercebido, mas ele não viu o serviço, viu as pessoas”

– Segunda-feira, 23:52 e esses guerreiros aí trabalhando com alegria…!!! Respeito máximo. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻.

A mensagem publicada por Rafinha, junto com uma foto ao lado de dois garis nas ruas do Rio de Janeiro, viralizou nas redes sociais na noite de segunda-feira. O lateral-direito do Flamengo, que em campo vem conquistando a torcida com suas atuações, fora do gramado ganhou mais dois admiradores: os rubro-negros e parceiros de trabalho Luciano Delfino e Cosme Santiago.

Cosme não tem celular, mas o GloboEsporte.com conseguiu encontrar Luciano para saber os detalhes desse inesperado encontro na noite carioca. Por telefone, o gari contou que tudo aconteceu no condomínio onde Rafinha mora na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e que foi o próprio lateral que puxou assunto e pediu para tietar a dupla com foto.

– Já tinha visto ele na rua, mas nunca falado com o cara. O trabalho já é uma correria do caramba, e particularmente não gosto de atrapalhar o momento de lazer dos outros, ainda mais quem já tem que lidar com imprensa. Mas foi ele que veio falar com a gente, parecia uma pessoa normal. O Cosminho que reconheceu: “É o Rafinha do Flamengo”. Aí ele pediu para tirar foto. “Pode sim, junta aí”. Tirou do celular dele mesmo, o nosso estava sem bateria – explicou, elogiando o jogador:

– Poucos dão valor. A gente que trabalha com coleta passa despercebido, mas ele não viu o serviço, nos viu como pessoas. Muitos desse patamar, do nível dele, são esnobes, mas ele é um cara muito simples. Ele veio, tirou foto, deu caneca para os nossos filhos… Falou para na hora que precisasse de alguma coisa podia tocar na casa dele. O cara é humildão.

Luciano vive com a esposa Kátia e o filho Wesley, de 17 anos, em Santa Cruz, também na Zona Oeste. Todos rubro-negros, garante. Mas o gari não acompanha tanto assim o time por causa da rotina de trabalho, que começa às 18h e vai até altas horas da madrugada, de segunda a sábado. Ele precisa se “virar nos 30” para torcer:

– Lá em casa é todo mundo flamenguista, se tiver algum vascaíno mando embora (risos). Mas quase não vejo futebol, não dá para acompanhar muito pelo horário. De noite para mim é ruim porque estou trabalhando, aí vejo só os melhores momentos. Quando é domingo ainda consigo. A gritaria em casa é demais, às vezes até paro para não estressar (risos). Mas o time hoje está dando mais alegria do que estresse.

Por isso, Luciano pouco viu Rafinha jogar. Das 14 partidas do lateral até agora com a camisa rubro-negra, apenas cinco foram aos domingos – contra o Ceará ainda foi poupado e só entrou nos minutos finais. Mas quem sabe, um dia, ele não consiga assistir ao vivo não só o ala, como o time do coração no Maracanã? Para quem só foi ao estádio uma vez, e por outro motivo sem ser o futebol, seria a realização de um sonho.

– Claro. Na única vez que fui ao Maracanã foi para ver o Papai Noel. Tinha 10 anos, hoje estou com 44. Quanto tempo tem isso… A vida fica difícil, não dá nem para pagar ingresso às vezes – lamentou.

Nesta quarta-feira, enquanto o caminhão de Luciano e Cosme estiver passando pela rua de Rafinha, o lateral-direito estará no Maracanã. Com força máxima, o Flamengo recebe o Inter às 21h30 (de Brasília) para defender a liderança do Campeonato Brasileiro.

Fonte: Ge