Conversa com um criador de vÃrus
Não é ele, é ela. Não revela seu nome, apenas o apelido: Gigabyte. Tem 24 anos, é de Mechlin, na Bélgica.
Irrequieta, QI de gênio (faz programas desde os cinco anos de idade, usando o computador de seu pai) e feminista de carteirinha, ela justifica a criação de seus vÃrus como resposta aos que acham que mulher não tem talento para informática.
É festejada no underground cibernético por causa de seus vÃrus devastadores: o Sharpei – o primeiro vÃrus feito em C# ( pronuncia-se CiSharp), que infecta arquivos no formato SIL (Linguagem Intermediária da Microsoft) – e o Parrot, que se dissemina disfarçado de protetor de tela e causa danos aos sistemas operacionais.
Por isso, os hackers a admiram. Eles vêem nela o modelo de mulher ideal. Gigabyte não liga. Já namorou Nostalg1c, hacker que já invadiu o site da Casa Branca. Juntos, ficaram conhecidos como Bonnie e Clyde do ciberespaço.
Antes se ser rastreada e presa pela polÃcia belga, com a ajuda do FBI, concordou em me dar uma rápida entrevista, via e-mail.
Pode dizer seu nome verdadeiro?
Gigabyte – Melhor não.
Você tem namorado?
Gigabyte – Quem? O Nostalg1c? Terminamos. Eu realmente não tenho tempo para romances. Há a faculdade, meu trabalho, meu curso de Espanhol. Claro que nas horas vagas escrevo meus vÃrus.
Quando você teve seu primeiro contato com um computador?
Gigabyte – Comecei a programar aos cinco anos, no computador de meu pai. Aos seis, ganhei um Comodoro 64. Meu primeiro interesse foi por games. Depois aprendi Basic num PC melhor. E não parei por aÃ: Visual Basic e C, foram as outras linguagens de programação que me encantaram.
O que a levou a escrever vÃrus?
Gigabyte -Sempre tive interesse em saber sobre vÃrus. Lá pelos meus 13 anos consegui, via Internet, muitas informações sobre eles. No grupo VX scene consegui entrar em contato com gente do metié, gostei e comecei a programar vÃrus.
Sabe-se que o cÃrculo dos escritores de vÃrus é dominado por homens. Foi difÃcil fazer parte desse clube do bolinha?
Gigabyte – Socialmente, sim. É uma área dominada por e eu tinha só 14 anos. No inÃcio, eles faziam gracinhas comigo, alguns nem acreditam que fosse uma mulher. Mas eu era boa na parte técnica, isso ajudou a me relacionar com eles. Logo fiz amigos e passei a ser tratada como se fosse um deles.
Você não sente como uma criminosa?
Gigabyte – Ora, eu escrevo vÃrus, mas não os espalho. Recentemente, quando fiz o Coconut (vÃrus sob a forma de um game, no qual o jogador atira cocos na cabeça de Graham Cluley, consultor de tecnologia da Sophos, fabricante mundial de antivÃrus) muita gente quis pegá-lo, sem se importar com o fato de ser um vÃrus. A galera queria se divertir acertando o cocoruto do Graham. Não, eu não sou uma criminosa.
As empresas de segurança apontam o Sobig.F como o mais perigoso vÃrus de todos os tempos. O que você acha dele?
Gigabyte – O vÃrus é realmente poderoso porque se propaga rapidamente. Eu fico excitada vendo que ninguém até agora conseguiu juntar as peças de seu código, quebrar sua encriptação. Quem o fez é realmente competente.
Que tipos de programas danosos podem aparecer daqui por diante?
Gigabyte – VÃrus que se escondem em imagens, em mensagens falsas e em redes sociais online. Cada vez mais surgem pessoas capazes de fazer esse tipo de programa.
Nota de rodapé: este artigo já foi publicado, mas seu link foi perdido quando mudei de servidor e por isso reeditei-o.
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Como ela começou a programar aos 5 anos se só recebeu o PC com 6? ‘-’
Uma pessoa inteligente que deveria utilizar sua capacidade em informática para o bem da sociedade, utiliza-a para maldades, atrapalhando trabalhos e meios de informações da sociedade e muitas vezes com o intuito de surrupiar bens financeiros para sÃ.
Acredito que essa pessoa iria ser muito mais recompensada construindo programas para beneficiar o próximo.
Olá, amigo
Bem observado. É disso que gosto. Da atenção do leitor. Falha minha ao copiaro texto que fiz no Bloca de Notas para o editor do WordPress. Comi o pedacinho que dizia que ela começou a programar aos cinco anos no computador de seu pai. Você daria um belo copydesk.
Obrigado pela visita e por me ajudar a corrigir meus erros (inevitáveis, porque sou um só para tocar um blog con tantos posts). Volte sempre.
Abraços
Olá, Marivaldo
Apoiado. Mas a Gigabyte, quando construiu seus vÃrus, era um adolescente deslumbrada com as mil e uma possibilidades da informática. Acho que depois do castigo, ela pode se tornar uma competente assessora de segurança digital.
Obrigado pela visita e pelo comentário.
Abraços
Hehe, obrigado =)
Este é o exemplo do porque não podemos ter domÃnio sobre nosso poder mental.
Não saberÃamos usar para o bem.
Com certeza!!!
Ela é famosa por seus virus e tu com certeza conseguiu uma entrevista por email com ela!!! Certo que todo mundo pode ter o email dela.
Tu acha que alguém aqui é troxa meu filho?!?!?!
Olá, amigo
Não entendi. Você está dizendo que não entrevistei a jovem? Normalmente, não costumo provar o que digo porque isso não é necessário. Afinal, tenho mais de 45 anos de jornalismo e jamais cometi qualquer deslize profissional, muito menos esse do qual você me acusa.
Mas, como há outros leitores deste blog que podem ser influenciados por sua leviandade, eis abaixo cópia do e-mail da entrevista, na Ãntegra, feita com a Gigabyte. Como disse no artigo, a conversa se deu antes de ela ser presa. É bom lembrar que já tinha publicado a entrevista em meu blog faz algum tempo e reediteia-a porque havia perdido seu link, durante mudança de servidor.
Você, meu caro, deveria ter lido meu currÃculo antes de fazer esse comentário.
From: “Gigabyte”
Sent: Monday, August 25, 2003 12:34 PM
To: “Magalhães”
Subject: Re: interview 2
>
>
> Hi.
>
>> After all, tell me your real name (if it is possible),
>
> Uhm no, rather not, sorry :)
>
>> what are you studying by nowadays, where.
>
> I did my first year in a college in Brussels, studying computer
> sciences, of course. It all went fine, I had nice scores, and I’m going
> to start my second year at the end of september :)
>
>> Have a boyfriend? He is a hacker, too?
>
> I guess you’re talking about nostalg1c? (This story was in the media a
> whole while ago)
> Nope, we broke up several months ago. I’m single now. No big deal tho, I
> don’t really have time for a boyfriend anyway atm.. Busy with college,
> now with travelling, learning more about UNIX because even though I
> won’t be writing viruses for it, I think it’s interesting and I’m gonna
> need it later for my job, and I’m learning Spanish. (for more info on
> what exactly I’ve been busy with and when, see
> http://coderz.net/gigabyte ) … and hey, I still want *some* free time
> to write a new virus now and then ;)
>
>> Also tell me about your hobbies beyond virus writer. I also need some
>> photo of you.
>
> Atm I’m not doing any sports (well, I do train at home, to stay healthy,
> for my looks etc. :)
> I had to quit kickboxing due to lack of time and for health reasons.
> My main hobby of course is computers. Other than viruses, I’m for
> example interested in networks, which is what I wanna do later for work.
> I’m learning Spanish, I like to go out, mainly listen to techno,
> hardstyle, and such kinda music… I also like to travel, which
> basically explains why I’m so hard to contact this summer: I haven’t
> been home much yet :)
> I did vacation work (in computers) in july, then at the beginning of
> august I went to Chaos Communication Camp (see http://www.ccc.de/camp )
> and then I went to Barcelona for two weeks, for fun and also to learn
> Spanish (I took some classes there). At the end of this week I’m leaving
> to Spain again, just for vacation this time with my family. Costa del
> Maresme.. Should be fun :)
>
>> When was your first contact with a computer?
>>
> When I was 6 years old, I sometimes played games on my uncle’s Commodore
> 64. Then I got one of my own at home, and quickly lost interest in
> games. I had a printer but didn’t know what to do with it. So I typed
> PRINT. This did nothing, but didn’t give an error either.. I had some
> copies of a simple BASIC programming book, but I was only 6-7 years old,
> so I didn’t really read the text in it. I could read a bit, but like..
> yeah well, I just rather tried things out :)
> I soon figured out that with PRINT I could print things on the screen,
> and with INPUT I could request input from the user.. all I did was still
> very very simple, of course, but I think it gave me a good foundation
> for later on. It was much easier for me to learn QuickBASIC and Visual
> Basic on a “real” PC later on, because of that.
>
>
>> What attracted you to write virus?
>
> I always found them interesting, and I read some books about them
> (around the age of 13-14), but found them all very anti-virus minded.
> When I was 14 I finally got an Internet connection at home, so I could
> find much more info about them. I started collecting viruses, and got in
> contact with the so called “VX scene”, where I also met virus writers. I
> quickly got bored of collecting, so the step to writing them was quickly
> made, because I already could program.
>
>>
>> Did you like it?
>
> Yes, I learned much more much quicker than before, like:
>
> – That BASIC-alike languages weren’t the way to go. Earlier, before I
> had an Internet connection, I didn’t really have people to advice me on
> this. When I came in contact with the VX scene I started learning C, and
> later on some ASM.
> – Also, I hate to learn by just copying examples out of a book. I find
> it much better to learn a language by just using it, and then looking up
> things you need. I will remember them much better when I do it that way,
> and when I code something I really LIKE to code.
> So writing viruses is also a way to practice programming to me.
> Further, you know I love to travel.. well it’s exciting to know that a
> virus and/or worm can travel even much much faster and further around
> the world, than I ever could.
>
>>
>> Was it hard to find your way in virus bussiness as a girl?
>
> Nah.. not for the technical stuff anyway.. you’re pretty much on your
> own anyway, no matter what your gender is.
> Of course sometimes people help each other, especially within virus
> groups (you know there are virus groups, I guess? Like for example
> Metaphase, 29A, IKX..) .. or at least they used to.
> But most of it you learn by yourself.
>
> Socially, yeah, maybe it was a bit hard at the very beginning, because I
> ended up there when I was only 14, and sometimes people made sex related
> comments of jokes because I was female, or they just didn’t believe I
> was female, while I kinda felt like I had no reason NOT to tell them.. I
> mean there’s no reason to be ashamed of being female eh? Anywayz, that
> all quickly got better, I made friends in the scene, and I got treated
> just like everyone else. They don’t really make a difference between
> male of female vxers.
>
>>
>> Don’t you feeel like a criminal doing it?
>
> Nah. I write viruses, I don’t spread them. Actually when writing
> Coconut, I even received positive reactions from people, saying things
> like “hey, I want that one, I don’t really care it’s a virus”.. That was
> kinda funny. Nah I don’t see myself as a criminal :)
>
>>
>> People say you wrote a virus especially to worry Symantec or Sophos
>> team, I’m not shure. Is it true? If so, what kind of virus was it?
>
> My last virus, Coconut, had a very simple game included yes.. You had to
> throw coconuts at Graham Cluley (a well known anti virus person from
> Sophos, and sexist!) and Frans Devaere (aka Redattack, some wannabe
> hacker who was in the news here some years ago, causing the laws to get
> even stricter.. they made it sound like he hacked a bank, but actually
> he brute forced the helpdesk site or something..
E por aà vai. A entrevista é longa, publiquei apenas um resumo dela.
inteligente e desocupado mereceria ter as maos cortadas pra deixar de fazer mal aos outros
Existem virus e virus… Tem gente que abomina o primeiro e paga pelo segundo. Windows, por exemplo, é um virus da pior espécie. IEca 6, 7, 8, credo, to to fun! Tem até um programinha que o pessoal adora e dizem se tratar de um anti-virus, mas na verdade trava a máquina pior que um virus: Norton Antivirus. E o povo ainda paga por essas drogas.
Qual a diferença entre GigaByte e Bill Gates? Ah! Sei! O Bill Gates cobra pelas porcarias que produz!
Olá, Julio
Sabe que você tem razão. Não tinha pensado nisso. Quanto ao Norton é um programa realmente pesadão. Uso o Nod32. É leve, grátis e certeiro no gatilho.
Abraços
Tem uma piadinha, velhinha, bem manjada, só para descontrair: Sabe qual é a diferença entre o vÃrus e o Windows?
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É que o vÃrus FUNCIONA!
Agora, falando sério: nada nem ninguém tira da minha cabeça que as próprias empresas que fabricam anti-vÃrus são as mesmas que contratam “freelancers” para despejar vÃrus na rede.
Um dia, um amigo meu disse que as indústrias fonográficas, que estão percebendo que, por mais processos que metam para cima dos internautas, a pirataria não vai acabar, embutem vÃrus em arquivos com extensão .mp3, justamente nas músicas mais badaladas do momento.
Eu mesmo, anos atrás, baixei um .mp3, botei para tocar e nada. AÃ, decidi passar anti-vÃrus nele e… voilà : era um vÃrus! Sorte minha que consegui remover o dito cujo rapidinho, senão ele teria se espalhado pelo meu computador.
É sabido que muitas empresas estão admitindo que contratam hackers (a palavra certa seria “cracker”, pois o hacker só invade, fuça o que quer e vai embora; o cracker, não: ele invade e danifica o computador da vÃtima de alguma maneira) para trabalharem para ELAS, a fim de se proteger de novos ataques.
Existe uma quantidade razoável desses hackers ganhando um bom dinheiro por terem mudado de lado.
É, o velho ditado não deixa dúvida: se você não pode com o inimigo, junte-se a ele…
Olá, André
Você está absolutamente certo. Hackers são contratados a peso de ouro por empresas de segurança digital, embora elas neguem o fato. E é legitima a suposição de que algumas delas despejam vÃrus no mercado. Caso contrário, como elas sobreviveriam? Acontece o mesmo com a indústria de armamentos.
Se não houver guerras, como a do Iraque, e as intermináveis contendas entre árabes e judeus no Oriente Médio, como as famÃlias Bush e Bin Laden, sócias em uma empresa do gênero, poderiam ganhar milhões e milhões de dólares?
Por sinal, a proximidade entre as duas famÃlias é o grande obstáculo para a prisão de Osama, uma vez que, se os Estados Unidos quisessem, já teriam detido o suposto terrorista faz tempo.
Abraços
Como o Andre disse:
“Agora, falando sério: nada nem ninguém tira da minha cabeça que as próprias empresas que fabricam anti-vÃÂrus são as mesmas que contratam “freelancersâ€? para despejar vÃÂrus na rede.”
Na minha infancia tinha um borracheiro que de vez em quando me pagava 0,10 centavos de cruzeiro [por volta de 1969 eu acho] para jogar pregos em uma avenida uns 2km antes da borracharia dele. Logico que o objetivo era furar pneus e ele conseguir mais clientes. [Não me rucifiquem, eu tinha uns 10 anos de idade]
O que eu relatei não é muito doferente do que o André falou.
Sds
Rogerio
Aff eu acho essa mulher uma NOOB.
So porque ela programa bem acha que pode ficar criando programas maliciosos eu faço questão de usar um desses programas delas so para provar que ela não deixa de ser NOOB.Mesmo sendo um Genio ela se acha de mais pra mim na passa de uma lammer
você não acha isso erado? e por que você cria virus?