AÃ, não pode, não. Faz dodói
Mais uma produção literária que está guardada no baú de lembranças de um aventureiro que se perdeu na encruzilhada da vida.
AÃ, não pode, não. Faz dodói
Conto de João Magalhães
Ia pôr o dedinho na tomada, quando lembrou daquela voz que amava: “Não, aÃ, não, faz dodói.
Deu uma olhdinha para o lado e engatinhou até a mesinha de centro da sala. Apoiando os braços nela, se levantou.
Viu o vaso de cristal reluzente. A vontade era pegá-lo e jogá-lo no chão. O porquê, ele não sabia.
Mas, de novo, veio-lhe à mente o aviso. “Aà não pode mexer. Mamãe fica zangada”.
Mas que coisa chata era essa vida. Tudo era proibido. Que vou fazer agora?
Numa busca por algo que o divertisse, percebeu que a porta do terraço estava aberta.
Ah, como gostava de ficar lá, brincando, olhando a rua, aquele monte de gente passando! Para onde iriam? Por que tanta pressa?
A bolinha de borracha chamou-lhe atenção. Era gostoso vê-la rolando pra lá e pra cá. E, depois, ela não tinha falado mal sobre o briquedinho.
Deu um safanão na bola, ela foi lançada para além da sacada.
Começou a choramingar. Não podia fazer nada. Havia uma tela que que o impedia de ir apanhar a bola. Havia?
Ele se pôs de pé e, surpresa!, o obstáculo não estava mais lá. Mamãe tinha mandado consertar a tela e, quando os homens vieram apanhá-la, esqueceram de fechar a porta do terraço.
Então, ele viu a bola lá na calçada. Era só dar um pulinho que a pegaria.
Quando se deu conta, estava num grande jardim junto com outras crianças. Uma moça bonita, com asas brancas nas costas, sorria.
E ela, cadê ela? Ah, ela está ali, debruçada sobre uma caixa de madeira preta, soluçando. Que será que houve? Vou avisar que ela pode ficar dodói de tanto chorar.
Ei,mãe! Não fique triste. Eu consegui pegar a bola.
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Singelo alerta, João.
Muitos casos como o do seu conto ocorreram recentemente.
Parabéns.
Abraços
Sutil… Muito sutil… Escreves muito bem João… Parabéns amigo… Seus textos são pedras preciosas… Idéias concisas… Publique tudo, será um júbilo devorar esse material…
Olá, amigo
O que dizer de seu comentário, a não ser que ele me é gratificante.
Obrigado e volte sempre.
Abraços