A máquina do diabo
Mais uma produção da série Conto um conto e faço versos, que retirei do meu baú de obras literárias.
A máquina do diabo
Conto de João Magalhães
Alex meteu a mão no bolso, pegou uma nota de 50 reais e enfiou na boca da maquininha de vÃdeobingo, que a engoliu rapidamente.
Uma, duas, várias vezes ele apertou o botão de jogar. E nada. Nenhuma linha dupla, que lhe retornaria 30 reais.
Nem mesmo um quadrado de 80 créditos – cada 10 reais na aposta 1, com quatro cartões, lhe dava o direito de, em dez tentativas, fazer o bingo, que pagava 250 reais.
- Merda de máquina – ele xingou baixinho.
Foi para outra. Mais cinquentinha. Desta vez na aposta dois porque, se tivesse sorte, saÃa com 500 reais.
E nada. Mais cinquenta, quem sabe. E lá se foram, em menos de uma hora, 150 reais.
Alex pensou no que lhe tinha dito o amigo Pedro. Quando for assim, se manda. Caso contrário, vai se ferrar de vez.
Mas, a maquininha à sua frente piscava suas luzes coloridas. Enquanto esperava pela próxima vÃtima que iria alimentar sua fome por dinheiro, ela fazia, automaticamente, uma demonstração de suas ofertas tentadoras.
Exibiu para Alex, em apenas uma rodada, um bingo na aposta quatro. Quer dizer, o jogador que repetisse a façanha ganharia 1.000 reais.
Quem haveria de resistir ao convite? Talvez você, talvez eu. Mas, Alex, não. E lá se foi mais uma nota de cinquenta.
Seus créditos já estavam no fim, quando, pela graça, não de Deus, mas do diabo, ele gritou junto com a máquina: Bingo!!!
- Pronto. Recuperei tudo. É hora de dar no pé – Alex pensou.
Com um daqueles sorrisos que a gente vê nos comerciais de televisão, uma atendente da casa chegou perto dele e ofereceu-lhe um cafezinho.
Quando se deu conta, duas horas depois, Alex estava na aposta dez. Além da grana do bingo, gastara tudo o que tinha consigo: 800 reais – o salário do mês, que recebera nesse dia.
Em casa, a mulher esperava-o ansiosa e preocupada. Ele já deveria ter chegado com o presente e uns salgadinhos e doces que tinha encomendado para comemorar o aniversário do filho.
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Muito bom João,Parabéns
Fiquei com muita pena do Alex!
Triste, mas belo conto, João. Parabéns!
Abraços
Prezado Rodrigo
Só tenho que agradecer.
Grande abraço
Oi, Lisa
Fico feliz que tenha gostado do conto. A vida não é isso aÃ, mas, infelizmente, a ficção nada mais é que a realidade disfarçada. Obrigado mais uma vez pela visita.
Abraço fraternal
gostei muito mesmo.Mas me deu pena da mulher de Alex
Olá, Ionicy
Fico feliz que tenha gostado do conto. Infelizmente, há muitos Alex por aÃ.
Obrigado pela visita, volte sempre e convide seus amigos para conhecer meu blog. Há alguma coisa interessante por aqui, a cada dia.
Abraços