A câmera das fotos impossíveis
Primavera de 1991. De férias em Praga, na Tchecoslováquia, os estudantes austríacos Mathias Fielg e Wolfgang Stranzinger conheceram a Lomo.
Era uma câmera estranha, parecia de brinquedo. Mas, experimentando-a, eles verificaram que podiam tirar fotos de todos os jeitos imagináveis: de costas, de pernas para o ar, de olhos fechados. Bastava clicar e pronto: os filmes revelados exibiam imagens perfeitas.
De volta às suas casas, em Viena, eles desmontaram a máquina em 425 partes e desvendaram seu grande segredo: uma lente sofisticada, que produz alta definição e permite fotografar à noite sem flash, devido à sua grande sensibilidade à luz.
Entusiasmados com a descoberta, fundaram, em 1992, a Sociedade Lomográfica e difundiram por toda a Europa as extraordinárias qualidades da maquininha. Logo, a Lomo gerou um movimento batizado de Arte Anárquica, ou, simplesmente, Lomografia. Que conquistou o planeta.
“Os russos nunca podiam imaginar que tinham criado uma coisa tão estupenda quanto a Lomo”, admira-se Wolfgang Stranzinger.
A Lomo tem passado político. É uma relíquia da extinta União Soviética. Surgiu em 1982, quando o general Igor Petrowitsch Kornitzky, do ministério russo da Indústria e da Defesa, encantado com uma diminuta câmera japonesa, ordenou ao diretor da Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie (Empresa Óptica e Mecânica de Leningrado) a fabricação em massa de máquinas fotográficas pequenas, robustas e fáceis de usar.
A ideia era colocá-las no mercado doméstico, para que os soviéticos pudessem captar flagrantes de seu estilo de vida. Deu certo.
A partir daí, a Lomo transformou-se num poderoso instrumento de propaganda do comunismo. A Leningradskoye lançou então a Kompact Automat, que foi vendida não só na União Soviética, mas também no Vietnã, Alemanha Oriental e Cuba.
A Kompact é dotada de rápido ajuste de distância e tem visor funcional. Uma de suas características mais interessantes é seu sistema de exposição automático, que mantém a íris aberta, até que luz suficiente tenha passado pela lente.
Como a câmera não tem flash, o processo pode levar até 30 segundos. Outro efeito curioso é o de funilamento, que faz com que a foto fique com uma moldura circular escura.
Foram esses e outros atributos que fizeram o sucesso da Lomo. Seus adeptos não se contentam apenas em tê-la. Eles querem que ela seja o objeto de desejo de todos os que gostam de fotografar.
Assim, em 1994, A Sociedade Lomográfica promoveu uma grande mostra internacional simultaneamente em Nova York e Moscou, com murais de 10 mil lomografias que retratavam o dia-a-dia das duas cidades.
Não demorou muito para que o ciberespaço também se rendesse aos encantos da Lomo: foram criados sites e mais sites, em especial os blogs (diários eletrônicos), dedicados à nova mania.
Não é surpresa, portanto, que já tenham sido vendidas quase 1 milhão de mil Lomos e mais 00 mil de sua versão mais barata, as ActionSamplers. Pode ser pouco, mas serviu para reerguer a Leningradskoye, que estava prestes a fechar suas portas.
A paixão pela Lomo não conhece limites. Matt Carr, célebre fotógrafo de moda, converteu-se à Lomografia e não se cansa de louvar as qualidade da sua Lomo.
“Seu tamanho, não maior do que um maço de cigarro, permite que se fotografe as pessoas sem que elas desconfiem disso. Assim, você colhe imagens incríveis e divertidas”, ele conta.
Fanática é a portuguesa Ana de Almeida. Não contente em andar de Lomo pra cá e pra lá, ela fundou, em dezembro de 2001, a LomoLisbon, embaixada da Lomo em Lisboa.
“ A Lomo faz parte de minha vida. É uma extensão de meu corpo, que fotografa do carro, a pé, em qualquer situação. É, em resumo, uma espécie de diário visual”, ela confessa.
O exemplo de Ana foi seguido por outros amantes da Lomo. Hoje, existem mais de meia centena de embaixadas em todo o mundo, inclusive aqui, no Brasil.
Os lomógrafos detentores de um fanático voyeurismo de tudo o que acontece por aí, obedecem a dez regras de ouro :
1 – Leve a sua Lomo para todo o lado.
2 – Use-a dia e noite.
3 – Lomografia não interfere com sua vida, é uma parte dela.
4 – Chegue o mais perto possível dos objetos do seu desejo lomográfico.
5- Não pense muito para clicar.
6 – Você não precisa saber o que vai ser capturado no filme antecipadamente.
7 – E nem depois.
8 – Dispare de qualquer jeito.
9 – Seja rápido.
10 – Não ligue para regras.
A concepção de não haver barreiras para o que se fotografa ou como se fotografa virou lema dos lomógrafos: “Você vê, você lomografa”, eles apregoam.
Par a saber mais sobre a mania, acesse o site da Sociedade Lomográfica Brasileira.
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A história da Lomo é bem mais que isso e um post desses deixa muito a desejar. Péssimo. Dizer que a Lomo possui uma ótima lente de alta definição é ainda algo mais burro de se dizer. Se é pra postar só por postar é melhor deixar quieto.
Olá, Gustavo
Obrigado pela visita e pelo comentário. Você é muito sutil em suas observações. Se todos fossem como você, o número de posts que não servem para nada aumentaria muito.
Abraços
O legal é que o cara aih perdeu tempo lendo e não prestou atenção no ano… 1991 meu amigo… 1991!!!