9 etapas de uma crise financeira
A seqüência abaixo é apenas um exemplo de como a crise japonesa de 1998 levou à outra. A interdependência está sempre presente.
Espero que a crise financeira dos Estados Unidos não repita esse quadro porque, por mais que o governo Lula propale que o Brasil está preparado para o que der e vier, seremos afetados de maneira dolorosa.
Dito isso, vamos voltar ao passado de dez anos atrás.
1 Durante anos seguidos, os bancos do Japão emprestaram dinheiro para projetos ruins, acumulando uma dívida impagável de 650bilhões de dólares. O governo nada conseguiu fazer e a crise passou para a indústria e o comércio. Vendas caíram, empresas fecharam, veio a recessão.
2 A recessão traz desemprego e um grande corte nas importações. Isso afeta todos os países que vendiam para o Japão (inclusive o Brasil). O impacto é maior nos vizinhos: Coréia do Sul, Malásia, Tailândia e Hong Kong.
3 Sem vender para os japoneses, as empresas desses vizinhos reduzem a produção e demitem empregados. O valor de suas ações começa a cair nas bolsas da Ásia e de países ocidentais. Tailândia e Coréia já tinham, antes, enormes dívidas em dólares. A crise torna-se também política. No início de 98 a “crise asiática” começa a se espalhar.
4 A queda das ações nas bolsas da Ásia traz prejuízos de bilhões aos grandes investidores. Muitos deles investem também nas multinacionais européias e dos EUA, que já não conseguem vender seus produtos para a Ásia. Ao longo de 98 vão caindo as suas ações nas bolsas da Europa e nos EUA.
Área De Risco
5 Para compensar os prejuízos, esses investidores vendem ações e títulos que têm em lugares como São Paulo e Buenos Aires. No Brasil, em outubro de 97, a fuga de capitais chega a 8 bilhões de dólares em uma semana. Em setembro passado, passou dos 12 bilhões. Essa grande fuga aconteceu porque o Brasil, com dívidas enormes e um governo incapaz de cortar despesas, passou a ser visto como uma área de risco.
6 Para conter essa fuga e atrair de volta os capitais, o governo brasileiro aumenta de 21% para 42% ao ano os juros que paga a quem comprar os seus títulos. Os investidores voltam, mas essa nova taxa vai custar 20 bilhões de dólares em um ano. Para pagar essa conta, o governo aumenta os impostos, corta alguns custos e benefícios, adia obras.
7 O impacto de tais medidas na vida das pessoas é enorme. O aumento de imposto reduz os recursos das empresas. Estas cortam a produção e demitem empregados. Como muita gente perde o emprego, diminuem as compras no comércio. Juros altos significam prestações maiores (a de uma geladeira pode ir de 80 para 140 reais)
Apertas Os CIntos
8 Esses cortes retiram verbas da saúde e começam a faltar vacinas e remédios em hospitais públicos. Na educação, bolsas de estudo no exterior são canceladas. Obras como usinas, estradas e esgotos são interrompidas ou adiadas e seus empregados são dispensados. A economia, que havia crescido 3% em 1997, só crescerá 1% em 98.
9 A saída no curto prazo é apertar os cintos e pedir novos empréstimos, mas eles custarão juros mais altos ao governo. No longo prazo, a solução é o governo aprender a gastar apenas o que tem e, se possível, exportar mais e assim obter mais dólares.
Obs: Este post é uma adaptação de um artigo do jornalista Gabriel Manzano, publicado na antiga revista Galileu, da Editora Globo.
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Resumindo…
e a gente paga o parto…
Oi João!
É um efeito dominó, que vai crescendo e atingindo todos os países. Tem muita relação essa crise que atingiu os países asiáticos com a que está atingindo o mundo atualmente e que começou nos EUA.
João, sou tua fã! Adoro tudo que escreve!
Um abraço.
Olá, Regina
Você me deixa sem graça com essas palavras. Faço o que posso para tornar o blog interessante para o leitor. E você é sempre muito bem-vinda.
Grande abraço